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Brasil vê oportunidades em minerais, mas avanço depende de políticas

Especialistas apontam que o Brasil precisa de políticas estáveis, ambiente de negócios atrativo e financiamento para avançar em minerais críticos e energias renováveis

Rafael Rosas, do Valor; Aline Nunes, do Ibram; Rafaela Guedes, do Cebri; e José Luis Gordon, do BNDES: discussão sobre tecnologias e dependências globais — Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo
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  • O Brasil tem oportunidades em minerais críticos, dependentes de políticas públicas, ambiente de negócios e instrumentos de financiamento.
  • Evento “Energia e soberania” discutiu como o país pode atrair investimentos e transformar minerais em cadeia industrial, com foco em regulamentação estável e segurança jurídica.
  • O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) atua para acelerar investimentos, já estruturando um Fundo de Investimento em Participações (FIP) com a Vale e lançando chamadas que indicaram 56 projetos com potencial de investimento de R$ 50 bilhões; há interesse em ampliar o uso do BNDESPar e criar fundo garantidor.
  • Minerais críticos são vistos como fundamentais para descarbonização e digitalização da economia, com o objetivo de agregar valor nacional e não apenas exportar matéria-prima.
  • Os debates também abordaram autonomia energética, digitalização das redes, mercado elétrico liberalizado e a necessidade de um arcabouço regulatório com faixas de preços por horário para sustentar investimentos.

O Brasil tem oportunidade relevante no setor de minerais críticos, mas o avanço depende de políticas públicas, ambiente de negócios e financiamento. A avaliação foi feita no evento Energia e soberania: a posição do Brasil, organizado pelo Valor e O Globo com patrocínio da Vale.

Executivos e especialistas ressaltaram que os minerais serão cada vez mais demandados pela transição energética e que o Brasil ocupa posição estratégica no cenário geopolítico. Aline Nunes, do Ibram, destacou vantagens como diversidade mineral, infraestrutura e know-how em mineração, além de um arcabouço regulatório em construção.

Minerais críticos, tecnologia e novas dependências globais

Rafaela Guedes, da RG Impact, apontou que regulamentação previsível é essencial para atrair capital estrangeiro para P&D no setor. O BNDES informou a atuação para acelerar investimentos via instrumentos públicos e privados, incluindo a Nova Indústria Brasil. A instituição mencionou estratégias em etapas, com foco na industrialização do beneficiamento.

José Luis Gordon, do BNDES, afirmou que minerais críticos estão entre as prioridades da agenda. Ele citou a criação de fundos de investimento em participação com a Vale e uma chamada pública que apoiou 56 projetos, com potencial de investimento de cerca de R$ 50 bilhões. Também existe a possibilidade de ampliar a participação acionária via BNDESPar.

Autonomia energética e estratégia industrial para o século XXI

Em relação à infraestrutura, o setor aponta a necessidade de digitalização das redes elétricas e de um ambiente regulatório que permita desenho de tarifas por faixa de consumo. Sérgio Romani, da Genial Energy, enfatizou que a transição envolve descarbonização, descentralização e digitalização, com dados de consumo acessíveis para tomada de decisão.

Leonardo Euler, da Vestas, destacou a importância de ir além de uma matriz elétrica verde, mirando inovação e conectividade. Ele citou a eletricidade 4.0 como conceito-chave para governança de dados, distribuição e IA aplicadas ao setor de energia. Nivalde de Castro, da UFRJ, apontou gargalos de transmissão e defendeu ações como usinas hidrelétricas reversíveis.

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