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Tarifas dos EUA em 2025 afetam mais o Brasil, especialmente Sudeste e Sul

Tarifas dos EUA em 2025 frearam exportações do Brasil, com maior recuo no Sudeste e Sul entre agosto e novembro, pelo menor volume embarcado

O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa sobre tarifas no Jardim das Rosas da Casa Branca, em Washington, D.C., EUA, em 2 de abril de 2025. REUTERS/Carlos Barria/Foto de arquivo
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  • O impacto das tarifas dos EUA sobre o Brasil em 2025 foi mais forte no Sudeste e no Sul, com maior expressão entre agosto e novembro, quando as alíquotas estavam no auge.
  • As exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram de US$ 40,4 bilhões em 2024 para US$ 37,7 bilhões em 2025 (queda de US$ 2,7 bilhões).
  • Sudeste teve redução de 1,0% nas exportações para os EUA; Sul caiu 1,5%; Centro-Oeste ficou praticamente estável e Norte/Nordeste registraram leve alta.
  • Entre os estados, as maiores quedas foram no Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná; o Espírito Santo registrou a maior retração relativa ao PIB estadual (0,55%).
  • A decomposição mostra que o recuo foi principalmente pela redução do quantum (volume) (-5,6%), com queda de valor total (-6,7%) e leve recuo de preços (-1,2%); setores e itens como café, máquinas, madeiras, carnes bovinas e combustíveis foram os mais impactados. Queda pode ter levado a redirecionamento de exportações para outros mercados.

O impacto das tarifas dos EUA sobre as exportações brasileiras em 2025 foi mais intenso nas regiões Sudeste e Sul, segundo o Banco Central. O estudo utiliza dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e aponta queda expressiva entre agosto e novembro, período de vigência das alíquotas.

O BC apura que as exportações do Brasil para os Estados Unidos recuaram de US$ 40,4 bilhões em 2024 para US$ 37,7 bilhões em 2025. O recuo total foi de US$ 2,7 bilhões, equivalente a 0,1% do PIB e 0,8% do total das exportações.

Foco regional e por Estado

O Sudeste registrou a maior queda, com receitas para os EUA caindo de US$ 28,7 bilhões para US$ 27 bilhões (queda de 1,0% das exportações). O Sul sofreu retração de 1,5%, saindo de US$ 5,2 bilhões para US$ 4,3 bilhões.

No Centro-Oeste as exportações permaneceram praticamente estáveis, enquanto o Norte e o Nordeste tiveram leve alta, ainda que com valores absolutos menores, tornando-se mais suscetíveis a oscilações pontuais.

Entre os estados, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná apresentaram as maiores quedas, respectivamente de US$ 7,4 bilhões para US$ 6,6 bilhões, de US$ 4,6 bilhões para US$ 4,3 bilhões e de US$ 1,6 bilhão para US$ 1,2 bilhão. O Espírito Santo teve a maior retração relativa ao PIB estadual, em 0,55%.

Decomposição e impactos setoriais

A análise mostra que o recuo de 6,7% no valor das exportações para os EUA entre 2024 e 2025 decorre principalmente da redução de volumes (-5,6%), com queda de preços de 1,2%. No Sudeste, a retração de volumes foi de 4,4%; no Sul, 14,5%.

Em Minas Gerais, o café contribuiu para a queda de volumes, ainda que o preço da commodity tenha amortecido parte do impacto. Em São Paulo, bancos industriais e semi-manufaturados puxaram a redução. No Rio de Janeiro, a queda em combustíveis, ainda sem tarifação direta de petróleo, pode estar associada a maior incerteza econômica.

No Sul, o recuo atingiu máquinas e madeiras, com carnes bovinas também influenciando pela baixa de volumes, compensada parcialmente pelo preço mais alto.

Observações do BC

O BC aponta que parte das exportações pode ter sido redirecionada a outros mercados, visto que as exportações totais do país cresceram no período. Em síntese, o impacto agregado foi relativamente limitado, mas o efeito regional foi relevante para estados e setores específicos.

Perspectivas para 2026

O BC sinaliza incertezas para 2026, incluindo decisões da Suprema Corte sobre tarifas, novas tarifas anunciadas por 10% em resposta, a manutenção de tarifas sobre aço e alumínio e investigações comerciais em curso contra o Brasil.

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