- O impacto das tarifas dos EUA sobre o Brasil em 2025 foi mais forte no Sudeste e no Sul, com maior expressão entre agosto e novembro, quando as alíquotas estavam no auge.
- As exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram de US$ 40,4 bilhões em 2024 para US$ 37,7 bilhões em 2025 (queda de US$ 2,7 bilhões).
- Sudeste teve redução de 1,0% nas exportações para os EUA; Sul caiu 1,5%; Centro-Oeste ficou praticamente estável e Norte/Nordeste registraram leve alta.
- Entre os estados, as maiores quedas foram no Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná; o Espírito Santo registrou a maior retração relativa ao PIB estadual (0,55%).
- A decomposição mostra que o recuo foi principalmente pela redução do quantum (volume) (-5,6%), com queda de valor total (-6,7%) e leve recuo de preços (-1,2%); setores e itens como café, máquinas, madeiras, carnes bovinas e combustíveis foram os mais impactados. Queda pode ter levado a redirecionamento de exportações para outros mercados.
O impacto das tarifas dos EUA sobre as exportações brasileiras em 2025 foi mais intenso nas regiões Sudeste e Sul, segundo o Banco Central. O estudo utiliza dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e aponta queda expressiva entre agosto e novembro, período de vigência das alíquotas.
O BC apura que as exportações do Brasil para os Estados Unidos recuaram de US$ 40,4 bilhões em 2024 para US$ 37,7 bilhões em 2025. O recuo total foi de US$ 2,7 bilhões, equivalente a 0,1% do PIB e 0,8% do total das exportações.
Foco regional e por Estado
O Sudeste registrou a maior queda, com receitas para os EUA caindo de US$ 28,7 bilhões para US$ 27 bilhões (queda de 1,0% das exportações). O Sul sofreu retração de 1,5%, saindo de US$ 5,2 bilhões para US$ 4,3 bilhões.
No Centro-Oeste as exportações permaneceram praticamente estáveis, enquanto o Norte e o Nordeste tiveram leve alta, ainda que com valores absolutos menores, tornando-se mais suscetíveis a oscilações pontuais.
Entre os estados, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná apresentaram as maiores quedas, respectivamente de US$ 7,4 bilhões para US$ 6,6 bilhões, de US$ 4,6 bilhões para US$ 4,3 bilhões e de US$ 1,6 bilhão para US$ 1,2 bilhão. O Espírito Santo teve a maior retração relativa ao PIB estadual, em 0,55%.
Decomposição e impactos setoriais
A análise mostra que o recuo de 6,7% no valor das exportações para os EUA entre 2024 e 2025 decorre principalmente da redução de volumes (-5,6%), com queda de preços de 1,2%. No Sudeste, a retração de volumes foi de 4,4%; no Sul, 14,5%.
Em Minas Gerais, o café contribuiu para a queda de volumes, ainda que o preço da commodity tenha amortecido parte do impacto. Em São Paulo, bancos industriais e semi-manufaturados puxaram a redução. No Rio de Janeiro, a queda em combustíveis, ainda sem tarifação direta de petróleo, pode estar associada a maior incerteza econômica.
No Sul, o recuo atingiu máquinas e madeiras, com carnes bovinas também influenciando pela baixa de volumes, compensada parcialmente pelo preço mais alto.
Observações do BC
O BC aponta que parte das exportações pode ter sido redirecionada a outros mercados, visto que as exportações totais do país cresceram no período. Em síntese, o impacto agregado foi relativamente limitado, mas o efeito regional foi relevante para estados e setores específicos.
Perspectivas para 2026
O BC sinaliza incertezas para 2026, incluindo decisões da Suprema Corte sobre tarifas, novas tarifas anunciadas por 10% em resposta, a manutenção de tarifas sobre aço e alumínio e investigações comerciais em curso contra o Brasil.
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