- Possível acordo entre EUA e Irã, mediado pelo Paquistão, com cessar-fogo imediato e compromisso mútuo de evitar ataques à infraestrutura, acende uma leitura de alívio, porém sem mudar o humor dos mercados de imediato.
- Ibovespa fechou em alta de 0,17%, aos 177.650 pontos; na semana, ganho de 0,2% e no mês, queda de 5,16%, com ganho acumulado de 10,26% no ano.
- O Estreito de Ormuz segue como variável aberta, mantendo cautela e limitando movimentos de ativos no pregão.
- O mercado passou a ajustar apostas de juros: o Fed pode não subir os juros ainda neste ano; a expectativa migrou para janeiro de 2027, com menos probabilidade de alta em dezembro de 2026.
- O dólar ficou estável em torno de R$ 5, com queda diária de 0,06%; na semana, dólar caiu 1,3% e, no mês, subiu 1%.
Na quinta-feira (21), o mercado tentou descolarem da narrativa geopolítica, mas acabou acompanhando de perto as informações sobre um possível acordo entre EUA e Irã. A indicação de um cessar-fogo e de evitar ataques à infraestrutura do Golfo Pérsico trouxe algum alívio, porém sem alterar o humor de risco dos investidores.
O Ibovespa fechou em alta modesta, 0,17%, aos 177.650 pontos. Na semana, o desempenho é positivo apenas 0,2%, e no mês acumula queda de 5,16%. O avanço dependeu mais de-news de paz que de resultados corporativos.
O dólar à vista caiu 0,06%, a R$ 5,00, com leve posição de stabilização. O desempenho semanal é de queda de 1,3%, enquanto no mês há alta de 1% frente ao real. No ano, a moeda local acumula recuo de 8,9%.
Mercado observa com cautela a hipótese de um acordo mediado pelo Paquistão, com cessar-fogo imediato e compromisso mútuo de evitar ataques. A possibilidade de paz amenizou, ainda que de forma parcimoniosa, as pressões sobre políticas monetárias globais.
A expectativa é de que a queda no preço do petróleo possa frear a inflação global, reduzindo pressão para futuras altas de juros. O mercado revisou para baixo a probabilidade de aumentos de juros do Federal Reserve ainda neste ano.
Nova York mostrou leitura mais contida, mesmo após a Nvidia apresentar resultados melhores que as estimativas. A reação ficou aquém de impulsos de demanda, refletindo o ambiente de incerteza sobre a evolução da guerra no Golfo Pérsico.
A carteira brasileira manteve o ritmo, mas a volatilidade ficou mais acentuada diante da informação de possível acordo. O fluxo financeiro também sinalizou cautela, com o Ibovespa mantendo-se próximo de suportes técnicos.
Cenário de bolsas e juros
Para o Ibovespa, o patamar de 178.600 pontos funciona como suporte técnico. Caso haja rompimento, o regime de queda pode se intensificar, enquanto retorno acima de 179 mil pontos sinalizaria apenas alívio técnico.
Analistas destacam que, mesmo com sinais de cessar-fogo, ainda não há confirmação formal de reabertura do Estreito de Ormuz. Sem essa confirmação, a incerteza sobre a demanda global e o fluxo de petróleo permanece presente no mercado.
Na prática, investidores avaliam se o suposto acordo sustenta uma mudança de cenário para juros globais. A agenda local também acompanha a correção da Selic, com projeções de ajuste que variam entre bancos e casas de câmbio.
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