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Agricultor pode lucrar com petróleo encontrado no Ceará, entenda

ANP confirma petróleo cru em Tabuleiro do Norte; proprietário pode receber 0,5% a 1% da produção, caso haja exploração, sem garantia de inclusão na OPC

Testes indicaram que se trata de uma mistura de hidrocarbonetos com propriedades semelhantes às do petróleo extraído em terra na Bacia Potiguar
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  • A ANP concluiu, na terça-feira, que a substância encontrada em Tabuleiro do Norte é uma amostra de petróleo cru.
  • O material foi encontrado durante perfuração em propriedade privada, mas, por lei, recursos minerais e hidrocarbonetos pertencem à União; exploração depende de contratos de concessão ou partilha.
  • Caso a jazida seja viável, o dono da propriedade pode receber participação entre 0,5% e 1% do valor da produção e indenizações por uso da área para infraestrutura.
  • O agricultor Sidrônio Moreira afirmou não ter interesse em vender o sítio onde mora há mais de 20 anos.
  • A ANP abriu processo administrativo para avaliar a área e a possibilidade de inclusão do bloco exploratório na Oferta Permanente de Concessão, sem prazo definido para conclusão e sem garantia de inclusão.

A ANP concluiu, nesta terça-feira (19), que a substância encontrada por uma família em Tabuleiro do Norte, no interior do Ceará, é uma amostra de petróleo cru. O achado ocorreu durante a perfuração de poços artesianos na propriedade privada conhecida como Sítio Santo Estevão. O laudo indica que o material é petróleo, não apenas vestígio ou líquido similar.

A área pertence à família Moreira, que vive no local há mais de 20 anos. Mesmo com a confirmação da substância, a extrair é monopólio da União. Recursos minerais e hidrocarbonetos são de titularidade pública, cabendo ao Estado ou a empresas autorizadas pela concessão explorar e vender o combustível.

Situação jurídica e incentivos à exploração

Caso a viabilidade econômica da jazida seja comprovada, a legislação prevê participação do proprietário entre 0,5% e 1% do valor da produção, além de indenizações por uso da área para infraestrutura. Por ora, não houve decisão sobre venda do sítio pelos Moreira.

Após a descoberta, houve aproximação de propostas de compra não oficiais, mas a família informou não ter interesse em vender o terreno. Em novembro de 2024, para suprir a necessidade de água dos animais, o agricultor contratou empréstimo de R$ 15 mil para perfurar poços.

Avanços regulatórios e próximos passos

A ANP abriu processo administrativo para avaliar a área e o contexto geológico, com possível inclusão do bloco na Oferta Permanente de Concessão (OPC). A OPC é a principal modalidade de licitação para exploração de petróleo e gás no Brasil. Não há prazo definido para conclusão do estudo nem garantia de inclusão.

O envio do laudo foi feito ao proprietário, e também encaminhado à Sema-CE para avaliação ambiental. A agência destaca que o processo depende de aprovações internas e de órgãos ambientais e ministeriais. A CNN Brasil pediu posição do Governo do Ceará, sem retorno divulgado até o momento.

Relembre a descoberta e perícias

O Sítio Santo Estevão — conhecido como Baixa do Juazeiro — abriga a família Moreira em uma área de 49 hectares. Em novembro de 2024, a perfuração visava água para os animais; na primeira tentativa, a profundidade ultrapassou 40 metros. Um líquido escuro, inflamável, com cheiro intenso emergiu, levando à suspensão.

Antes do laudo final, amostras foram analisadas no IFCE e na UFersa, com testes sugerindo mistura de hidrocarbonetos semelhantes ao petróleo de terra. Em março de 2026, técnicos da ANP e da Sema-CE coletaram novas amostras e confirmaram a presença de óleo cru.

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