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Brasil pode aprender com o mercado bilionário de restaurantes dos EUA

Crise de lucratividade nos restaurantes dos EUA leva a investimento em tecnologia e engenharia de cardápio para proteger margens

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  • Nos Estados Unidos, o mercado de food service deve fechar 2026 com faturamento de US$ 1,5 trilhão, com quase 16 milhões de trabalhadores e 53% do gasto brasileiro com alimentação fora de casa.
  • A expansão real do setor caiu de 4,8% para 1,3% por causa da inflação, com preços de cardápios subindo 4% em termos reais; 42% dos operadores independentes não foram lucrativos em 2025.
  • Três focos pesam sobre o setor: custo de alimentos, custo de mão de obra e logística, elevando a importância da engenharia de cardápio e da produtividade operacional.
  • O Brasil acompanha o mesmo padrão, com share de gasto fora de casa em torno de 30%, mas com potencial de crescimento ainda grande e desafios semelhantes aos dos EUA.
  • Medidas práticas incluem engenharia de cardápio orientada por dados, uso estratégico de tecnologia para elevar hospitalidade e segmentação granular do consumidor para proteger margens sem perder valor ao cliente.

Nos Estados Unidos, o setor de food service deve fechar 2026 com faturamento de US$ 1,5 trilhão, em meio a quase 16 milhões de trabalhadores. 53% dos gastos com alimentação saem de casa, indicando um mercado grande e ativo.

Por outro lado, a expansão real caiu de 4,8% para 1,3%, eclipsada pela inflação. Os preços reais dos cardápios subiram 4%. E 42% dos operadores independentes não lucraram em 2025, evidenciando pressão sobre margens.

A engenharia de cardápio e a produtividade operacional aparecem como respostas centrais, frente a custos com alimentos, mão de obra e logística. A tecnologia é vista como suporte, não substituição de pessoas.

Brasil e EUA caminham juntos, com atrasos

A dinâmica brasileira se aproxima da americana: frequência de visitas em baixa e consumidores mais seletivos, segundo Simone Galante, da Galunion. No Brasil, 30% dos gastos com alimentação são fora de casa, ainda abaixo dos EUA.

A diferença está no estágio: o Brasil tem espaço para crescer, mas enfrenta os mesmos dilemas estruturais no food service. Mão de obra cara, margens pressionadas e tecnologia ainda subutilizada aparecem como entraves comuns.

Consumidor mais criterioso e opções digitais

Nos EUA, 37% consomem fora com menos frequência, optando por locais com melhor relação custo-benefício. Delivery, take away e apps aumentam a concorrência entre redes, com o mesmo clique e orçamento.

A promoção tornou-se gatilho decisivo. Valor percebido envolve sabor, tamanho e hospitalidade, indo além do preço. Decisões passam pela análise de desempenho de cada item, não pela média do negócio.

Mão de obra, tecnologia e IA

Ainda que 47% dos operadores tenham vagas abertas, apenas 6% reduziram postos por meio de tecnologia. A tecnologia ajuda a reduzir dependência de equipes específicas, mantendo a operação estável.

A transformação tecnológica é vista como obrigação para sobrevivência. E IA aparece como oportunidade para fundamentar decisões, reduzir fadiga de staff e fidelizar clientes, sem reduzir empregos.

Caminhos práticos para proteger margem

Três estratégias ganham destaque: engenharia de cardápio orientada por dados, uso estratégico de tecnologia para manter hospitalidade e segmentação real do consumidor, com foco em quem, quando e por que escolhe cada estabelecimento.

A conclusão de Galante é clara: o consumidor busca motivos claros para escolher um local. Quando outro lugar oferece melhor justificativa, a troca é natural.

A repórter viajou a convite da Galunion. Fontes do mercado destacam que, para o Brasil, acompanhar esses movimentos pode acelerar a melhoria de margens sem comprometer a experiência do cliente.

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