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Eternit investe em casas e edifícios pré-fabricados para ampliar atuação

Após a recuperação judicial encerrada em agosto de 2024, Eternit aposta na construção industrializada e em módulos para paredes de casas e edifícios

Unidade industrial da Eternit para produção de telhas de fibrocimento em Colombo (PR).
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  • Eternit, após seis anos em recuperação judicial encerrados em agosto de 2024, aposta na construção industrializada e em produtos modulares para paredes de casas e edifícios pré-fabricados.
  • As telhas de fibrocimento continuam como carro-chefe, respondendo por quase dois terços da receita da empresa, que totalizou cerca de R$ 1,15 bilhão em 2025; cerca de 30% da receita vem da exportação de fibra de amianto crisotila.
  • A construção industrializada representou aproximadamente 5% da receita em 2025 (R$ 52 milhões), com a expectativa de chegar a 15% neste ano.
  • A empresa investe na conversão de máquinas para financiar o novo modelo, com Colombo (PR) como centro de desenvolvimento e Hortolândia (SP) prevista para receber novas conversões.
  • Ainda há peso relevante da receita de amianto crisotila em Minaçu (Goiás), com exportações para a Ásia; STF analisa a legalidade de lei goiana que permitia a atividade, hoje com prazo de cinco anos para encerramento, ainda não cumprido.

A Eternit concluiu, em agosto de 2024, seis anos em recuperação judicial e vem reestruturando seus negócios. O foco atual é ampliar atuação no mercado de casas e edifícios pré-fabricados, partindo da experiência em materiais de construção. A empresa já havia migrado do uso de amianto crisotila para fibra de polipropileno em suas telhas.

O portfólio da companhia segue dominante pelo segmento de telhas de fibrocimento, que responde por quase dois terços da receita líquida. Em 2025, a receita total ficou em torno de R$ 1,15 bilhão, com a construção industrializada representando cerca de 5% do faturamento. O grupo aposta em crescimento com unidades de produção e inovação.

O principal objetivo estratégico é tornar-se fornecedora de produtos modulares para paredes externas e internas, com placas cimentícias e itens de acabamento, aplicáveis em estruturas pré-fabricadas. Segundo o CEO, Rodrigo Inácio, o mercado de construção industrializada avança rapidamente e pode vir a sustentar a expansão da empresa.

A área de construção industrializada tem perspectiva de ampliação de participação, prevista para chegar a 15% da receita do segmento de materiais de construção em 2026. Foram mapeados 150 potenciais clientes para os novos produtos, com uso em sistemas steel frame e wood frame. A Eternit investe na conversão de máquinas e na capacitação de mão de obra.

Reorganização de operações e novo parque industrial

Como parte da reorganização, a Eternit passou a usar fibra de resina de polipropileno desde 2018 em suas telhas, com fábrica dedicada em Manaus para suprir seis unidades fabris. Em 2024, as linhas de telhas fotovoltaicas foram descontinuadas, após queda de preços no mercado chinês de painéis solares.

A sede foi transferida para o prédio da unidade de Hortolândia (SP), onde funciona a Confibra, adquirida em 2021. A mudança visa otimizar a gestão e concentrar operações, com expectativa de cerca de 130 funcionários na nova sede.

A empresa encerrou 2025 com lucro líquido de R$ 49 milhões e dívida líquida de R$ 111,8 milhões; ao fim do primeiro trimestre de 2026, a dívida subiu para aproximadamente R$ 124 milhões. A produção de telhas de fibrocimento permanece como carro-chefe, com forte peso na geração de caixa.

Futuro do amianto em Minaçu sub judice

Ainda tem peso relevante na companhia a receita com fibra de amianto crisotila, extraída e exportada de Minaçu (GO). Em 2025, a receita alcançou R$ 373 milhões, com 169 mil toneladas embarcadas para Índia, Indonésia, Sri Lanka, Tailândia, Vietnã e outros países asiáticos. A atividade depende de uma lei estadual que permite a extração para exportação, enquanto o STF julga a legalidade dessa legislação.

A Lei 22.932, de Goiás, sancionada em agosto de 2024, prevê o encerramento gradual das atividades de amianto, com prazo de cinco anos a partir do termo de Cumprimento de Obrigações. A companhia afirma estar ciente e preparada para o cenário regulatório, sem precipitar decisões.

Estrutura de capital e participação acionária

A Eternit está listada no Novo Mercado da B3 desde 2006, com capital pulverizado e sem controlador definido. Os maiores acionistas, com participação superior a 5%, são o D+1 Fundo de Investimento em Ações (27,19%) e Luiz Barsi Filho (5,02%). A participação dos demais investidores soma o restante do capital.

A disputa de participação entre fabricantes de telhas de fibrocimento envolve a Eternit e a Brasilit, grupo Saint-Gobain, cada um com cerca de 30%. O restante do mercado é ocupado por empresas de controle familiar, segundo informações da liderança da companhia.

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