- O PLDO de 2027 projeta superávit primário de 0,5% a 1,5% do PIB para 2027 a 2030, com tolerância de 0,25 p.p. e dedução gradual de precatórios.
- A IFI sinaliza que as metas são ambiciosas diante das receitas e despesas futuras e que o governo precisa encontrar novas fontes de arrecadação.
- O governo foca em crescimento do PIB de 2,6% (2027 a 2029) e 2,7% (2030), enquanto a IFI trabalha com 2,0% em 2027, chegando a 2,3% em 2030.
- A inflação prevista pelo governo para 2027 é de 3,04%, convergindo a 3% a partir de 2028, enquanto a IFI projeta 3,52% em 2027 e 3,26% em 2028, chegando a 3% apenas em 2029.
- A massa salarial nominal deve crescer em dígito pela IFI (entre 5,3% e 6,3%), frente altas de dois dígitos estimadas pelo governo, impactando a arrecadação e as projeções de receitas.
O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027 projeta um superávit primário crescente, com base em cenários considerados otimistas pelo governo. A Instituição Fiscal Independente (IFI) afirma, no entanto, que é necessária a criação de novas fontes de arrecadação para manter os gastos públicos dentro das metas.
As metas são de 0,5%, 1,0%, 1,25% e 1,5% do PIB para 2027 a 2030, com tolerância de 0,25 ponto percentual. O governo prevê a dedução gradual de precatórios para alcançar esses patamares, conforme o texto do PLDO.
A IFI aponta que as projeções macroeconômicas utilizadas pelo governo são mais otimistas. Enquanto o governo trabalha com crescimento de 2,6% a 2,7% até 2030, a IFI usa números entre 2,0% e 2,3%. O IPCA também diverge entre as projeções.
Divergências macroeconômicas
Para a inflação, o governo aponta IPCA acima de 3% até 2027, com queda a partir de 2028. A IFI projeta 3,52% em 2027 e 3,26% em 2028, chegando a 3% apenas em 2029 e 2030. A massa salarial nominal também diverge: o PLDO estima altas de dois dígitos até 2030, enquanto a IFI projeta ganhos de 5,3% a 6,3%.
Essas diferenças se refletem nas receitas. Em 2027, a IFI calcula uma diferença de cerca de R$ 128 bilhões entre a receita primária total do governo e a estimada pela instituição. A maior discrepância ocorre na arrecadação líquida do RGPS.
Despesas e impactos
A IFI aponta que o cenário de uso de benefícios previdenciários e assistenciais permanece pressionado pela valorização do salário mínimo e pela concessão de novos benefícios. Entre as projeções, há uma subestimativa de R$ 16,1 bilhões em despesas com previdência e R$ 20,1 bilhões com o BPC para 2027.
A instituição questiona a viabilidade de a economia prevista com revisão de gastos ocorrer, citando resultados de 2024 e 2025. O PLDO indica economia de R$ 55,4 bilhões entre 2026 e 2029 em áreas como previdência, BPC, Proagro e seguro-defeso.
Considerações da IFI
Os diretores da IFI destacam que o arcabouço atual tende a manter déficits primários recorrentes e a dívida pública em trajetória de crescimento. Eles defendem que uma reestruturação fiscal e orçamentária da União é necessária no próximo mandato, para reduzir assimetrias entre receitas e despesas.
Entre na conversa da comunidade