- A Polícia Civil de São Paulo analisou quase uma década de movimentações ligadas à cúpula do PCC e à advogada Deolane Bezerra Santos, revelando uso de fintechs que ampliaram os recursos movimentados pelo grupo.
- A análise abrangeu o período de 9 de julho de 2022 a 9 de maio de 2024, comparando com dados de 2018 a 2022, e apontou um salto significativo a partir do segundo semestre de 2022.
- Os investigadores destacam mais de R$ 30 milhões movimentados por meio de empresas de meios de pagamento, incluindo fintechs, dentro do grupo.
- O laudo aponta padrão de fracionamento de valores e transações entre várias empresas ligadas a Deolane, totalizando movimentação global superior a R$ 140 milhões em créditos e débitos.
- A operação Vérnix cumpriu mandados de prisão contra Deolane, Marco Camacho (Marcola), Alejandro Camacho e outros, com investigações apontando ligações entre empresas de fachada, laranjas e atividades financeiras do PCC.
A Polícia Civil de São Paulo apresentou à Justiça uma análise de quase uma década sobre movimentações financeiras que conectam a advogada e influenciadora Deolane Bezerra Santos à cúpula do PCC. O estudo aponta que o uso de fintechs impulsionou o volume de recursos do grupo criminoso, segundo a representação enviada para decretar prisões.
A operação Vérnix cumpriu mandados nesta quinta-feira. Deolane foi presa em sua residência, no condomínio Tamboré, na Grande São Paulo, após chegada de Roma na véspera. Também foram expedidos mandados de prisão contra o líder da facção, Marco Camacho, o Marcola, e outros investigados.
A investigação envolve cinco empresas ligadas a Deolane, com participação de familiares e sócios, além de um contador em comum. A Justiça determinou a prisão de seis pessoas, entre elas Marcola, já custodiado em Brasília, com condenação de 300 anos.
A polícia descreve uma mudança no padrão de movimentação desde 2022: transações com fintechs e meios de pagamento passaram a dominar o fluxo de recursos, com salto superior a 30 milhões de reais. Relatórios indicam fracionamento de créditos e circularidade de valores.
Segundo o inquérito, houve depósitos fracionados, muitas vezes abaixo de 10 mil reais, somando cerca de 1,067 milhão entre 2018 e 2021. A partir de 2022, esse padrão deu lugar a entradas vultosas, associadas a empresas de tecnologia financeira.
Entre as empresas apontadas pela polícia estão PagFast Cobrança e Serviços em Tecnologia Ltda., Lucas Cosméticos Ltda. e Jarinu Anúncios do Brasil Ltda., responsáveis por transferências para Bezerra Publicidade e Comunicação Ltda. que somam mais de 5,7 milhões de reais.
A perícia aponta uma “malha financeira” estruturada ao redor de Deolane Bezerra Santos, com movimentação global superior a 140 milhões de reais em créditos e débitos. O documento aponta existência de relacionamentos entre pessoas físicas e jurídicas associadas.
A investigação também envolve familiares e laranjas utilizadas para movimentar recursos. De acordo com o relatório, Deolane adquiriu veículos de luxo e um terreno, enquanto a irmã, Dayanne Bezerra dos Santos, chegou a tentar sacar cerca de 1 milhão de reais em espécie em 2023.
Outras investigações incluem depósitos ordenados por um operador da transportadora ligada ao PCC, identificado como Ciro César Lemos. O material focus aponta que parte dos valores era repassada por meio de mensagens apreendidas.
Pelo menos duas empresas ligadas à advogada foram identificadas em múltiplos endereços, incluindo imóveis simples na periferia e locais que reuniam registros de várias sociedades. O contador Eduardo Affonso Rodrigues também está sob escrutínio.
A Operação Vérnix, que começou cedo nesta quinta-feira, mira seis alvos adicionais além de Deolane, incluindo o irmão de Marcola e dois sobrinhos. A Justiça solicitou à Interpol a inclusão de nomes na Difusão Vermelha, com localização ainda pendente.
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