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The Economist chama Brasil de obcecado por vacinas

The Economist chama o Brasil de obcecado por vacinas, apontando o foco de Lula e do Butantan como impulso à soberania médica, mas sinaliza entraves à inovação

Vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, de São Paulo — Foto: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo
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  • The Economist chama o Brasil de “obcecado por vacinas” e analisa os governos de Lula para entender avanços no Instituto Butantan.
  • A reportagem destaca o objetivo de Lula de alcançar soberania médica após a pandemia de covid-19.
  • Como exemplo, cita a Butantan-DV, vacina de dengue de dose única desenvolvida inteiramente no Brasil, com formulação, testes e fabricação no instituto.
  • A Economist aponta retração histórica da indústria farmacêutica brasileira por queda de P&D, impulso a genéricos e maior dependência de empresas estrangeiras em etapas como formulação e acabamento.
  • A publicação ressalta que, apesar de avanços sob Lula, ainda há obstáculos como preferência por genéricos, questões de propriedade intelectual e controle de preços, que, segundo a revista, exigem maior confiança no setor privado para um ciclo de inovação.

A revista The Economist publicou uma análise afirmando que o governo brasileiro é “obcecado por vacinas”, em reportagem sobre o renascimento do complexo médico-industrial do Brasil. A publicação situa o contexto na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva e na busca por soberania médica após a pandemia de covid-19.

Segundo a Economist, Lula afirmou a prioridade de fortalecer a indústria farmacêutica nacional após as mortes por covid-19 e a baixa participação de insumos domésticos na produção de medicamentos. O texto destaca o Instituto Butantan como exemplo de avanço, citando a vacina dengue de dose única como marco histórico.

A reportagem aponta que a maior parte do fortalecimento recente decorre de mudanças no orçamento, crédito e regulação. O artigo cita aumento de 30% no orçamento do Ministério da Saúde desde 2023, o maior volume de empréstimos do BNDES para saúde em 2024 e alterações nas regras para testes clínicos de vacinas.

Contexto histórico

Historicamente, a publicação aponta dificuldades para a criação de “campeões nacionais” na indústria farmacêutica, com falta de interesse das empresas em sair do setor de genéricos e adesão limitada a linhas de crédito do BNDES. Países estrangeiros teriam avançado mais rapidamente no setor.

Na avaliação da Economist, o período de Lula entre 2003 e 2010 enfrentou entraves para mudanças estruturais, o que atrasou o desenvolvimento de capacidades nacionais. A comparação com o governo atual serve para explicar o potencial observado com descobertas e vacinas recentes, segundo a análise.

Perspectivas e limites

A Economist cita obstáculos persistentes para a indústria farmacêutica brasileira. Entre eles, a preferência por genéricos, com menor incentivo à inovação, e críticas à postura do governo sobre propriedade intelectual e controle de preços. A reportagem sustenta que avanços significativos dependem de maior confiança do setor privado.

O texto ressalta que, para sustentar o impulso, é necessário equilibrar incentivo à inovação com estratégias regulatórias e de financiamento. Segundo a publicação, o atual andamento pode permanecer incerto em ano de eleições, refletindo o ambiente político e econômico.

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