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Alta de 10% no petróleo eleva inflação em até 0,7 p.p., aponta Itaú

Alta de 10% no petróleo pode elevar o IPCA em 0,5 a 0,7 p.p., levando a inflação em torno de 4,5%–4,7% neste ciclo e pressionando 2026

Posto de gasolina do Rio de Janeiro (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)
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  • O Itaú estima que um avanço de 10% do petróleo eleva o IPCA em 0,5 a 0,7 ponto percentual, ampliando a inflação de algo entre 4,5% e 4,7%.
  • O efeito direto ocorre nos preços de combustíveis e energia, com impacto fixo de 20 pontos-base no IPCA a cada 10% de alta do petróleo.
  • O efeito indireto, via custos intermediários de produção e transporte, pode chegar a 50 pontos-base no índice, dependendo da metodologia utilizada.
  • Aproximadamente um terço do efeito indireto vem do óleo diesel; demais derivados influenciam vários insumos industriais e embalagens.
  • A projeção do Itaú para o fim de 2026 aponta inflação de 5,2% (base: petróleo em US$ 85 por barril e câmbio em R$ 5,15), com maior cautela para o ciclo de cortes da taxa básica de juros.

O Itaú revelou que um aumento de 10% no preço do petróleo pode elevar a inflação em até 0,7 ponto percentual no IPCA. O estudo aponta impactos diretos e indiretos para o bolso do brasileiro, com reflexos em combustíveis e alimentos.

A projeção foi apresentada pelo departamento de pesquisa macroeconômica do banco, com participação das economistas Julia Gottlieb e Luciana Rabelo. O trabalho utiliza dois métodos para estimar o repasse de custos na cadeia produtiva.

Segundo a análise, o efeito direto ocorre nos preços de combustíveis e energia, com um impacto fixo de 20 pontos-base no IPCA a cada alta de 10% no petróleo. O efeito indireto resulta de custos intermediários de produção e transporte.

O estudo ainda avalia o repasse via duas abordagens. Um modelo econométrico indica aumento indireto de cerca de 30 pontos-base para a inflação. A segunda, com base na Tabela de Recursos e Usos do IBGE, aponta até 50 pontos-base no índice total.

Somando os efeitos, o impacto total estimado fica entre 50 e 70 pontos-base no IPCA, conforme o cenário. Aproximadamente um terço desse efeito indireto vem do óleo diesel e custos de frete, com o restante dos derivados impulsionando a inflação.

Cenário de inflação

O Itaú projeta inflação de 5,2% ao fim de 2026, considerando petróleo a US$ 85 por barril e câmbio em R$ 5,15. O câmbio nesta sexta operava próximo desse patamar.

Os analistas destacam que o núcleo da inflação já vem incorporando o choque do petróleo, reduzindo a distorção apenas à gasolina. O efeito alcança itens com maior exposição aos derivados, mantendo a inflação em trajetória mais resistente.

A avaliação sugere maior cautela ao Banco Central quanto a cortes na taxa básica de juros, dadas as pressões iniciais e o repasse rápido aos preços de bens de consumo. O relatório aponta risco de alta para a inflação.

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