- Grupo Toky, controlador da Tok&Stok e da Mobly, pediu recuperação judicial pela segunda vez em menos de dois anos, com dívida de R$ 1,12 bilhão.
- A medida acontece após a fusão entre Tok&Stok e Mobly, anunciada em 2024, para formar a holding que agora busca reorganização financeira.
- As ações TOKY3 caíram mais de quarenta por cento, levando o valor de mercado a cerca de R$ 32 milhões; dívida elevada sob juros altos.
- Principais credores são Banco do Brasil, Santander e Bradesco; recuperação visa uma reestruturação ordenada, com efeitos antecipados por 180 dias.
- O grupo tem 63 lojas físicas e mais de 2.200 funcionários; plano de recuperação deve ser apresentado em até 60 dias e será decisivo para o futuro da empresa.
A Tok&Stok, criada em 1978 para oferecer móveis e decoração de design acessível, voltou a pedir recuperação judicial. A medida afeta o Grupo Toky, controlador da Tok&Stok e da Mobly, que acumulou dívidas de cerca de R$ 1,12 bilhão. O pedido foi protocolado na terça-feira, 12, na Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, com segredo de justiça.
A fusão entre Tok&Stok e Mobly, anunciada em 2024, não impediu o agravamento da crise. O grupo informou que, apesar da reestruturação, o endividamento persiste e se intensifica. As ações TOKY3 registraram queda expressiva após o anúncio, com desvalorização superior a 80% em 2026 e volume de negociação abaixo do esperado.
Contexto inicial e trajetória da crise
A Tok&Stok chegou a ser metade de uma joint venture com o Carlyle, que detinha 60% desde 2012. Em 2021, o Carlyle repassou a operação à SPX Capital, provocando divergências sobre o rumo estratégico. A pandemia acelerou problemas, com fechamento de lojas e margens pressionadas pela inflação e juros altos.
Em 2023, o Carlyle investiu novamente para sustentar a operação, enquanto a família Dubrule aportou recursos. Entre 2023 e 2024, a empresa enfrentou atrasos em compras e acordos de aluguel, levando à perda de controle pela família. A transação com a Mobly, concluída em 2024, gerou expectativas de melhoria que não se concretizaram.
Situação atual e próximos passos
O grupo solicita a antecipação dos efeitos da recuperação por 180 dias, protegendo-o de execuções. Os credores incluem Banco do Brasil, Santander e Bradesco; há bloqueio de recebíveis de cartão por parte da SRM Bank. O plano de recuperação deverá ser apresentado em até 60 dias após o deferimento.
O ambiente macro ajudou a pressionar a operação: o país fechou 2025 com recorde de empresas em recuperação judicial e juros elevados, o que aumenta o custo financeiro. A Tok&Stok mantém 63 lojas físicas e cerca de 2.200 funcionários, buscando uma reestruturação que permita continuidade das atividades sem falência.
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