- O fechamento do estreito de Ormuz agrava a necessidade de liquidez dos petroestados do Golfo, com exportações de petróleo e gás pressionadas.
- Os fundos soberanos dos países do Golfo somam cerca de US$ 5 trilhões, financiando ações e dívida pública dos Estados Unidos em troca de proteção.
- A venda de ativos norte‑americanos é uma possibilidade, mas não deve abalar a estabilidade financeira global, segundo especialistas.
- Os Gulf states representam uma parcela pequena da dívida pública norte‑americana; entre os maiores detentores estão Japão, Reino Unido e China, com Arábia Saudita possuindo cerca de US$ 160,4 bilhões em bônus dos EUA.
- Projeções econômicas variam: Omã pode encolher até aproximadamente 1% do PIB, Qatar e Kuwait até perto de 14%, Arábia Saudita pouco acima de 3% e Emirados Árabes Unidos em torno de 5% em 2026, com oleodutos como rota de saída para parte da produção.
O fechamento do estreito de Ormuz ameaça acelerar a pressão financeira sobre os petroestados do Golfo Pérsico, que veem reduzir as exportações de petróleo e gás. Com a receita em queda, governos buscam liquidez imediata para manter o abastecimento de dólares, conforme reportado pelo Wall Street Journal.
Os fundos soberanos da região, que somam cerca de 5 trilhões de dólares, investem grande parte dessa riqueza em ações e em dívida pública dos Estados Unidos. A possibilidade de venda de ativos norte-americanos surge como opção, mas não representa, segundo especialistas, risco imediato à estabilidade global.
Os países do Conselho de Cooperação do Golfo — Arábia Saudita, Bahrein, Emirados, Kuwait, Oman e Qatar — enfrentam aperto de financiamento. Ainda assim, Goldman Sachs aponta riscos de liquidez global contidos, com necessidades de financiamento que representam menos de 0,1% da dívida em mãos do Tesouro dos EUA.
A decisão de desfazer posições em ativos dos EUA depende de condições de mercado. Pesquisadores destacam que o peso do Golfo nos Treasuries é modesto e que não há grande influência sobre índices como o S&P 500. A participação desses fundos na dívida soberana dos EUA é relativamente baixa.
Entre os investidores estrangeiros, cerca de 30% da dívida pública norte-americana está em mãos de estrangeiros. Japão lidera, seguido por Reino Unido e China; a Arábia Saudita figura entre os players com participação modesta. Analistas ressaltam que uma venda massiva seria contida, mas possível sob cenários extremos.
Os grandes fundos soberanos do Golfo — Emiratos, Kuwait e Arábia Saudita — estão entre os cinco maiores do mundo. O PIF, da Arábia Saudita, sinalizou estratégia de investimento na Europa, porém afirma que o cenário de guerra pode exigir ajustes na carteira.
Caso ocorram vendas de ativos, o efeito seria limitado pela dependência do dólar nas moedas locais, no comércio externo e na maior parte dos ativos dos fundos. Especialistas destacam que uma queda brusca do dólar poderia reduzir o valor da riqueza acumulada.
O cenário econômico no Golfo tende a variar conforme a duração do conflito. Goldman Sachs estima quedas potenciais no PIB, com Omã em torno de 1%, e Qatar e Kuwait com perdas de até 14%. Arábia Saudita seria moderadamente afetada, e os Emirados podem registrar retração próxima de 5%.
Para mitigar o impacto, os países estão buscando saídas alternativas, incluindo o redirecionamento de produção para oleodutos que operam pelo Mar Vermelho e pela costa de Omã, reduzindo a dependência do tráfego pelo Estreito de Ormuz.
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