- O pedido de abertura de capital mostra que Elon Musk ficará no controle da SpaceX após o IPO, ocupando CEO, CTO e presidência do conselho, com poder de voto acima de cinquenta por cento, graças às ações Classe B que representam 93,6% do direito de voto e não serão ofertadas ao público.
- Três mecanismos tradicionais de pressão são neutralizados: o voto majoritário dele decide tudo; ações derivativas exigem participação mínima de 3% para mover ações judiciais; a entrada no Nasdaq 100 tende a sustentar o preço e reduzir o impacto de vendas.
- O pacote de compensação de Musk inclui 1 bilhão de ações Classe B, que só viram ativos se a SpaceX alcançar avaliação de US$ 7,5 trilhões e ele estabelecer uma colônia humana em Marte com 1 milhão de habitantes; as ações podem ser usadas como garantia em empréstimos, mantendo o controle estratégico.
- Sobre sucessão, as ações podem ser transferidas para fundos fiduciários mantendo o superpoder de voto; Musk tem pelo menos 14 filhos reconhecidos.
- O The Guardian: entre cinco pontos adicionais, estão gastos com Cybertrucks da Tesla, a missão da SpaceX associada a ganhos financeiros, riscos do Grok, pagamentos de segurança de Musk e prejuízos reportados pela empresa.
O IPO da SpaceX, aberto ao público na quarta-feira (21), revela o controle quase absoluto de Elon Musk sobre a empresa. O documento de abertura à Nasdaq aponta que ele manterá cargos de CEO, CTO e presidente do conselho após as ações serem negociadas. A estrutura de votação permanece concentrada nas mãos do fundador.
Mesmo com a oferta, Musk continuará com voto superior a 50% e poderá aprovar fusões e aquisições sem depender de acionistas. A divulgação adverte que a arquitetura acionária pode limitar a influência de terceiros sobre decisões corporativas e a eleição de diretores.
A empresa adota ações de classes duplas, com Musk detendo 93,6% das ações Classe B, que concentram o poder de voto e não serão ofertadas. Assim, a SpaceX é apresentada como empresa controlada, sujeita a menos pressão de mercado convencional.
Essa configuração contrasta com a Tesla, onde Musk detém cerca de 20% do poder de voto e enfrentou disputas legais e pressões do conselho. O pacote de compensação na Tesla chegou a US$ 56 bilhões e foi alvo de ações judiciais de minoritários.
Três mecanismos neutralizados
Ann Lipton, professora de direito, aponta três mecanismos de pressão que o IPO enfraquece ou elimina. O voto centraliza as decisões nas mãos de Musk, com mais de 50% do controle.
O segundo ponto é o processo judicial. Ao incorporar no Texas, acionistas precisam deter pelo menos 3% do capital para mover ações derivativas, o que reduz oportunidades de litígio.
O terceiro é a pressão por venda de ações. A SpaceX acelerou a entrada no Nasdaq 100, o que tende a sustentar o preço no início das negociações e diminuir impactos de vendas de acionistas insatisfeitos.
O prospecto também detalha que Musk pode usar parte de 1 bilhão de ações Classe B como garantia de empréstimos, mesmo sem cumprir totalmente as metas para convertê-las em ações. O controle do conselho facilita essas operações.
O que mais chama atenção no prospecto
1) Cybertrucks da Tesla aparecem como despesa corporativa relevante, com a SpaceX comprando ao menos 1.300 unidades em 2025.
2) A missão expressa no documento associa a proteção da curiosidade humana a metas financeiras ligadas a Musk.
3) O Grok, chatbot da xAI, é citado como fator de risco por conter respostas potencialmente inadequadas ou ilegais.
4) A empresa pagou US$ 4 milhões pela segurança pessoal de Musk em 2025; em 2023 foram US$ 2 milhões.
5) O prospecto admite prejuízos acumulados de US$ 4,9 bilhões em 2025 e de US$ 4,3 bilhões no 1º trimestre de 2026, sinalizando possível falta de lucratividade.
O documento implica um cenário em que investidores devem reconhecer o potencial de governança concentrada, com impactos operacionais e estratégicos ainda a serem avaliados pelo mercado. Fontes associadas ao tema não foram citadas diretamente no texto base.
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