- O Itaú encerrou todas as contas de Deolane Bezerra e de parentes e de empresas em janeiro de 2024, após identificar várias “red flags” nas transações.
- A decisão ocorreu após o banco indicar um “ecossistema de movimentações suspeitas” e justificar o encerramento por motivos de prevenção à lavagem de dinheiro.
- Em 24 de novembro de 2023, a irmã de Deolane tentou sacar R$ 1 milhão em espécie, situação que se repetiu em outras contas associadas a ela.
- A ação do Itaú foi questionada pela influenciadora na Justiça, que manteve a decisão da instituição por considerar que houve “causas concretas”; recurso cabe.
- Deolane Bezerra foi presa em 21 de maio de 2026, durante operação que investiga suposto esquema de lavagem de dinheiro entre a advogada e o Primeiro Comando da Capital.
O Itaú encerrou em janeiro de 2024 as contas da influenciadora e advogada Deolane Bezerra, de parentes e de suas empresas, após identificar várias red flags em suas transações. O banco afirmou ter observado um ecossistema de movimentações suspeitas e desativou os vínculos financeiros.
Deolane foi presa nesta quinta-feira, 21 de maio de 2026, em Barueri, na Grande São Paulo. A prisão integra a operação Vérnix, deferida pelo Ministério Público paulista e pela Polícia Civil, que apura um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a advogada e o Primeiro Comando da Capital.
Entre as apurações está a tentativa de saque de 1 milhão de reais em espécie pela irmã de Deolane, Dayanne Bezerra Santos, em 24 de novembro de 2023. A operação envolvendo a família e empresas da influenciadora foi registrada em relatório da Polícia Civil.
As investigações apontam que saques milionários ocorreram com frequência em contas associadas a Deolane, incluindo a própria titular, parentes diretos e empresas vinculadas. Não há, até o momento, um levantamento público sobre o total de contas envolvidas ou o montante exato movimentado no Itaú.
A defesa de Deolane contesta a prisão, afirmando inocência e classificando a detenção como desproporcional. O processo de defesa sustenta que as acusações devem ser esclarecidas pela Justiça, mantendo a cooperação com o sistema judiciário.
Investigação e medidas judiciais
A investigação teve início em 2019, após apreensão de bilhetes em uma penitenciária paulista que apontavam uma possível ligação com a logística de uma facção. A partir disso, os investigadores levantaram indícios de uso de uma empresa de logística como fachada para movimentar recursos da cúpula do PCC.
A Justiça determinou medidas assecuratórias contra os investigados, incluindo bloqueio de cerca de 27 milhões de reais em nome de Deolane, bloqueio total de 357,5 milhões de reais e o sequestro de 39 veículos avaliados em mais de 8 milhões de reais. Os investigadores indicam depósitos fracionados em valores abaixo de 10 mil reais entre 2018 e 2021, totalizando pouco mais de 1 milhão de reais.
Ao longo da apuração, foram identificados cerca de 50 repasses para duas empresas de Deolane, somando 716 mil reais, sem indicação de prestação de serviços advocatícios que justificassem as movimentações. O caso ainda tramita na Justiça, com possibilidade de recursos.
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