- José Vicente de los Mozos, atual presidente-executivo da Indra, está de saída; conselho deve escolher o substituto na próxima reunião.
- Ele buscava restabelecer vínculos com Santa Bárbara (filial da General Dynamics) para formar uma grande aliança em contratos militares.
- O espanhol manteve várias reuniões com Santa Bárbara nas últimas semanas; a empresa fez silêncio público sobre o assunto.
- Indra e Santa Bárbara discutem megacontratos de artilleria para o Exército, com disputas judiciais em curso, incluindo recursos ao Supremo Tribunal e à Audiencia Nacional.
- Mozos também se aproximou de Sapa, fabricante vasco de transmissões, como parte de uma reaproximação com integrantes do consórcio Tess Defence; ainda não está claro se esse movimento avança.
O desempenho recente de Indra ganhou contornos de disputa interna após a saída de José Vicente de los Mozos, ainda conselheiro delegado. Ele manteve reuniões com Santa Bárbara e Sapa, tentando consolidar uma aliança estratégica com a fabricante americana de defesa e ampliar o papel de Indra em grandes contratos militares.
A gestão de De los Mozos enfrentava um cenário de crise de governança que teve início com a queda do então presidente executivo Ángel Escribano. A SEPI sinalizou resistência à fusão com EM&E, alimentando conflitos internos e mudanças na direção da empresa. O objetivo do executivo espanhol era reorganizar alianças com sócios estratégicos.
Santa Bárbara e Sapa: tentativas de reaproximação
Fontes do mercado indicam que De los Mozos buscou reatar laços com Santa Bárbara, visando tornar a empresa espanhola de General Dynamics um parceiro preferencial em grandes contratos de defesa. O movimento incluiu encontros nos últimos 15 dias, ainda sem comentários oficiais da Santa Bárbara.
Outras informações apontam que o foco do principal executivo de Indra também incluiu a empresa Sapa, fabricante vasco de transmissões. O objetivo seria reforçar o vínculo com parceiros do consórcio Tess Defence, que envolve Indra, EM&E, Sapa e Santa Bárbara, relacionado a contratos de artilleria e veículos militares.
Litígios e contratos em pauta
Indra e Santa Bárbara disputam megacontratos de artilleria para o Ejército de Tierra, avaliados em cerca de 7,24 bilhões de euros. Santa Bárbara recorreu a instâncias superiores contra diferentes apoios públicos concedidos a Indra e EM&E, e pode levar o caso à Audiencia Nacional após esgotar a via administrativa.
Ainda segundo fontes, a disputa envolve o projeto do veículo de apoio de cadeia VAC e o atraso na entrega de outros equipamentos, com possíveis sanções e multas associadas. O atraso no programa tem sido alvo de controvérsias no setor.
Desdobramentos na gestão
Após anunciar que manteria funções para facilitar a transição, De los Mozos não estaria mais no comando da empresa durante o processo de nomeação do seu substituto. A direção executiva passa a depender de novas definições, enquanto Simón assume papel não executivo.
A saída abre espaço para avaliar o futuro das parcerias estratégicas com os concorrentes e antigos aliados. Entre eles, a atuação de nomes ligados a Renault, como Jesús Presa, e a posição de Frank Torres, na divisão de veículos militares.
Próximos passos
A janela de transição deve esclarecer se o movimento de reaproximação com Santa Bárbara e Sapa terá continuidade ou se ficará restrito a negociações pontuais. O desfecho pode influenciar o desenho de parcerias em contratos de defesa nos próximos meses.
Entre na conversa da comunidade