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Arapuã: a maior varejista de eletro do Brasil quebrou duas vezes

Arapuã, maior varejista de eletro em 1996 com 2,2 bilhões, quebra e encerra após falência dupla, legado do crediário próprio

Arapuã: rede chegou a faturar mais de 2 bilhões de reais nos anos 1990 (Divulgação/Reprodução)
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  • A Arapuã, rede de eletrodomésticos criada em Lins, inovou ao oferecer crediário próprio no balcão, abrindo acesso ao crédito a pessoas sem conta em banco.
  • Nos anos oitenta e noventa, chegou a ter até 265 pontos de venda e faturou 2,2 bilhões de reais em 1996, consolidando-se como maior varejista do setor.
  • Em 1995 a empresa abriu capital na bolsa paulista e, em 1996, consolidou expansão, porém foi pressionada pela crise financeira internacional.
  • A partir de 1997, com juros altos e inadimplência, as dívidas superaram um bilhão de reais e a Arapuã pediu concordata em 1998.
  • Em 2002 a falência foi decretada em primeira instância; em 2009 o STJ confirmou a falência, e o ativo ficou em processo de liquidação, com o antigo grupo migrando para outros negócios.

Arapuã, inicialmente uma rede paulista de eletrodomésticos, ampliou rapidamente sua presença nacional nas décadas de 1980 e 1990. A empresa nasceu no interior de São Paulo com um crediário próprio, abrindo caminho para consumidores sem acesso a crédito bancário. Em 1996 chegou a faturar 2,2 bilhões de reais, ao mesmo tempo em que consolidava a expansão.

Fundada por Jorge Wilson Simeira Jacob, a Arapuã abriu caminho ao oferecer parcelas diretas no balcão. A rede chegou a operar 265 pontos de venda e empregava cerca de 2 mil funcionários, atingindo o auge entre o fim dos anos 1980 e o início dos 1990. O crescimento foi acompanhado de uma estratégia de diversificação dentro do setor de eletrodomésticos.

Origem e ascensão

A história remonta a 1952, em Lins, com Jacob mantendo uma loja de tecidos e, posteriormente, passando a vender liquidificadores Walita. Em 1957, nasceu a marca Arapuã, inaugurando o crediário próprio. A aposta no crédito facilitou o atendimento a consumidores de baixa renda, impulsionando a rede.

A crise econômica brasileira dos anos 1980 alimentou a expansão da Arapuã, que passou a integrar o Grupo Fenícia, controlando marcas, banco e indústria. A estratégia de diversificação consolidou o grupo, mas criaria vulnerabilidades futuras.

Queda e desfecho

Na virada dos anos 1990, a empresa delibera pela concentração de atuação em eletroeletrônicos. Em 1996, apesar do faturamento récorde, a rede enfrentou problemas de endividamento. Em 1998, a Arapuã pediu concordata diante do aumento de dívidas e juros.

O processo de recuperação foi conturbado e, em 2002, houve falência decretada em primeira instância. O STJ manteve o desfecho em 2009, encerrando a trajetória da Arapuã como gigante do varejo. O negócio original acabou desvirando para outros ramos no decorrer dos anos.

Legado e desdobramentos

O ativo intangível da marca permaneceu nos registros da empresa, mesmo após a reestruturação. O herdeiro do fundador passou a atuar no varejo de roupas em São Paulo e Belo Horizonte. Em 2015, houve mudança societária, mantendo o CNPJ da antiga Arapuã. O jingle e a memória da rede continuam marcados na memória de uma geração.

Fontes: informações históricas divulgadas por veículos de análise de mercado e reportagens da época.

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