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Itapema amplia a orla para tornar o metro quadrado da praia o mais caro do Brasil

Itapema avança com alargamento de orla, investimento de R$ 60 milhões, visando elevar o metro quadrado e estimular imóveis de alto padrão

Investimento para alargar Meia Praia, em Itapema, é estimado em R$ 60 milhões e será dividido entre o município de Itapema e o Governo de Santa Catarina
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  • Itapema investe cerca de R$ 60 milhões para alargar a orla, dividido entre a prefeitura (R$ 30 milhões) e o Governo do Estado, com início previsto em julho e conclusão em aproximadamente quatro meses.
  • A obra prevê a aporte de 416 mil metros cúbicos de areia ao longo de 4,75 quilômetros da orla, com faixa de largura entre 20 e 60 metros, entre os molhes dos rios Perequê e Taboleiro das Oliveiras.
  • A areia será dragada de uma jazida situada a cerca de 19 quilômetros da costa.
  • A ampliação é apresentada como impulsionadora de valorização imobiliária superior a trinta por cento, com expectativa de que o metro quadrado passe a ser o mais caro do Brasil, segundo o prefeito.
  • Grandes projetos de luxo já miram a cidade: GT Home planeja dois megaempreendimentos frente-mar em Itapema, com novas lojas no térreo e maior altura permitida pela ampliação; Sunprime também analisa lançamentos na região.

O município de Itapema, em Santa Catarina, pretende ampliar a orla da Meia Praia para buscar o título de metro quadrado mais caro do Brasil. O projeto envolve um investimento estimado de 60 milhões de reais e envolve a prefeitura e o governo estadual, com início previsto para julho e conclusão em cerca de quatro meses.

A obra prevê deslocar 416 mil metros cúbicos de areia ao longo de 4,75 quilômetros de orla, entre os molhes dos rios Perequê e Taboleiro das Oliveiras. A faixa de areia deverá ter entre 20 e 60 metros de largura, dependendo do trecho, e a areia virá de uma jazida localizada a aproximadamente 19 quilômetros da costa.

A justificativa é manter a infraestrutura frente aos avanços do mar e aos processos erosivos, ampliando o uso da orla para moradores e turistas. A expectativa é que a valorização imobiliária torne-se um motor para lançamentos de alto padrão na cidade.

A prefeitura cita casos de Balneário Camboriú, onde a expansão da praia Central levou a valorização de imóveis acima de 30%, como ancoragem para a projeção de Itapema. Estudos citados pela equipe do prefeito apontam que aumentos de faixa de areia elevam o valor do imóvel.

A divisão do investimento contempla 30 milhões de reais em recursos próprios do município e 30 milhões do Governo de Santa Catarina, sob a gestão do governador Jorginho Mello. A previsão é iniciar já em julho e concluir em cerca de quatro meses, antes da temporada de verão.

Cidade de luxo: projetos de alto padrão ganham espaço

A expansão da orla já impacta o mercado. A GT Home, responsável pelo Yachthouse by Pininfarina em Balneário Camboriú, planeja dois megaempreendimentos frente-mar em Itapema, com lançamento previsto para o segundo semestre. O terreno de 5 mil m² deve abrigar um prédio com 140 apartamentos nas alturas.

Segundo Bruno Pardo, diretor da GT Home, o alargamento da praia mudou o perfil de uso do terreno. Lojas que antes ficariam voltadas para a rua passam a ter vistas para o mar, elevando o apelo do empreendimento. A empresa também planeja outro lançamento à beira da Meia Praia, em terreno de 55 mil m².

Outra incorporadora de luxo, Sunprime, observa oportunidades com o alargamento. A empresa desenvolve o Orgânica, prédio de 50 andares próximo ao mar, com entrega prevista para 2032. O projeto já está em construção em terreno de 2 mil m² e envolve arquitetura de Leonardo Zanatta e Burle Marx na fachada.

Especialistas ouvidos pelo jornal destacam que o movimento pode acelerar a valorização de imóveis na região, com Itapema ocupando a segunda posição no ranking de cidades com os imóveis mais caros do Brasil, atrás de Balneário Camboriú. O preço médio do metro quadrado em Itapema já está em torno de 15,1 mil reais, próximo de Balneário Camboriú.

Impactos sociais e ambientais

A licitação ambiental necessária para a obra recebeu a Licença Ambiental de Instalação, emitida pelo IMA, como parte das medidas para proteção da infraestrutura urbana diante de eventos oceânicos. A ampliação é apresentada como forma de reduzir riscos de erosão.

Especialistas alertam para os impactos ambientais da prática, incluindo alterações na dinâmica da areia e possíveis efeitos sobre dunas, restinga e fauna costeira. Além disso, há críticas sobre como a valorização imobiliária pode influenciar moradia e isolamento de trabalhadores.

O tema é acompanhado por pesquisadores da UFSC, que destacam que a valorização do mercado pode reduzir a oferta de moradia acessível e pressionar despesas de vida dos moradores. A gestão pública é apontada como essencial para equilibrar ganhos econômicos com políticas habitacionais.

Itapema não está isolada: as ações de alargamento de praias já acontecem em outras cidades brasileiras, como Balneário Camboriú, Florianópolis, Natal e Fortaleza, cada uma com seus próprios riscos e benefícios para o território e a população.

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