- A Barion, fábrica de chocolates de Colombo (PR), entrou em recuperação judicial em março de 2025, com passivo de R$ 34,4 milhões, mantendo operação ativa.
- A empresa emprega cerca de 350 funcionários fixos e produz em média 300 toneladas de doces por mês.
- Rommel Barion, hoje com 73 anos, lidera a companhia na transição para a terceira geração e segue como representante legal da empresa.
- O empresário atribui parte dos desafios ao ambiente de negócios brasileiro, citando insegurança jurídica, alta carga tributária e baixa produtividade.
- A Barion já exportou para quatorze países, hoje foca no Mercosul, com meta de destinar 10% da produção ao exterior.
Rommel Barion, aos 73 anos, comanda a Barion, fabricante paranaense de chocolates com quase 70 anos de atuação. A empresa, que está em recuperação judicial desde março de 2025, segue operando com 350 funcionários fixos e produção média de 300 toneladas por mês.
A trajetória de Barion evidencia adaptação constante em um ambiente de negócios brasileiro considerado desfavorável por muitos empreendedores. O atual momento de crise não interrompeu a operação, que busca superar a recuperação e manter a produção estável.
Da loja de doces à visão industrial
Em 1959, a família Barion abriu uma pequena loja de doces em Curitiba. Rommel ingressou no negócio ainda adolescente, aos 14 anos, trabalhando no balcão. A prática ganhou espaço antes da formação acadêmica.
Na década de 1970, Rommel recebeu uma bolsa para um programa técnico na Alemanha, o que moldou sua visão sobre indústria e tecnologia. Ao retornar ao Brasil, consolidou uma estratégia de crescimento sustentável para a Barion.
Os custos de produzir no Brasil
A transição para a industrialização revelou limitações estruturais do país. A Barion mudou para Colombo, enfrentando dificuldades de infraestrutura, incluindo acesso por estrada de terra em períodos de chuva. Rommel atuou também como líder setorial, criticando o ambiente regulatório.
Naquela época, a empresa lançou o Tubetes, produto inspirado no mercado internacional e adaptado ao Brasil. A inovação ajudou a Barion a figurar entre as três maiores do setor no Paraná, segundo o Sincabima.
Aposta nos mercados internacionais
Com a consolidação interna, a Barion embarcou na exportação. Em sua fase de expansão, a empresa chegou a atender 14 países, com atuação na Europa, América do Norte, Oriente Médio e Oceania. Hoje, as exportações concentram-se no Mercosul, especialmente Argentina, Paraguai e Uruguai.
Rommel aponta que exportar envolve riscos, como inadimplência e barreiras sanitárias, além de variações cambiais que afetam a competitividade. A meta é retomar presença internacional, destinando 10% da produção ao exterior.
Da expansão à recuperação judicial
A Barion cresceu até atingir 130 milhões de reais em receita em 2024. No entanto, choques setoriais, como a crise de grandes redes varejistas e a alta do preço do cacau, pressionaram margens. A recuperação judicial foi iniciada em março de 2025.
O empresário enfatiza que o ajuste operacional foi imediato, mantendo a produção e a força de trabalho. A empresa continua operando com foco em sustentar o abastecimento e reduzir custos.
O teste da sucessão familiar
Rommel lidera a transição para a terceira geração da família na gestão da Barion. O processo envolveu oito membros, com critérios claros de ingresso, incluindo formação e experiência externa. Ao final, três permaneceram.
Mesmo com a aposentadoria formal, Rommel segue como representante legal e participa das decisões estratégicas. A história da Barion reforça a visão de que a sobrevivência depende da capacidade de adaptação, mais do que de condições ideais.
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