- Estudo da McKinsey, em parceria com Spectra, acompanha 246 fundos de buy out e revela a forma “private equity à brasileira” no Brasil.
- O levantamento aponta que o Brasil tem juros estruturalmente altos, o que levou gestores a adaptar estratégias para obter resultados resilientes.
- Ao longo de três décadas, o conjunto avaliou captação de R$ 196 bilhões; nos retornos, cerca de setenta por cento vêm do crescimento de receita, e trinta por cento de melhoria de margem, com pouca contribuição de alavancagem ou expansão de múltiplos.
- A mediana de retorno anual dos fundos locais é de nove por cento; o primeiro quartil pode chegar a 21 por cento entre 1993 e 2024, com quarenta por cento batendo o CDI e apenas vinte a vinte e cinco por cento superando índices internacionais como S&P 500 ou Nasdaq.
- Na análise temporal, o desempenho da safra 2014 a 2023 foi levemente superior ao da de 2006 a 2014, e menos de trinta por cento das gestoras manteve desempenho distintivo ao longo do tempo.
Num mapeamento inédito, a McKinsey, em parceria com a Spectra, examinou 246 fundos de buy out atuantes no Brasil. O estudo mostra como gestores adaptaram-se a juros estruturalmente altos. Os resultados foram apresentados ao Valor Econômico em primeira mão.
A pesquisa traça uma visão de três décadas, com histórico de captação de cerca de R$ 196 bilhões. O foco é entender como esses players obtêm retorno mesmo diante de um ambiente macroeconômico adverso.
No Brasil, o crescimento da receita explica quase 70% do retorno dos fundos, enquanto a expansão de margens traz cerca de 30%. Alavancagem e expansão de múltiplos contribuem pouco para o lucro por unidade de EBITDA.
A mediana de retorno anual dos fundos locais é de 9%. Entre 1993 e 2024, o primeiro quartil chegou a 21%. Cerca de 40% superaram o CDI, mas apenas 20% a 25% superaram índices internacionais como S&P 500 e Nasdaq.
Quando se analisa a última safra, de 2014 a 2023, o desempenho é levemente superior ao da anterior, de 2006 a 2014. Ao longo da amostra temporal, menos de 30% das gestoras mantiveram desempenho distintivo.
Resultados e implicações
O estudo evidencia o papel da gestão operacional na geração de ganhos. A melhoria operacional aparece como principal motor de retorno, não a alavancagem ou a expansão de múltiplos.
As conclusões destacam que, no Brasil, o ecossistema de private equity opera com uma dinâmica diferente da observada em mercados maduros. O impacto de fatores externos é mitigado por estratégias locais.
Segundo a McKinsey, o mosaico brasileiro de fundos de private equity apresenta uma capacidade de resiliência diante de juros altos, mas com variações significativas entre gestoras e ciclos. A íntegra da análise foi divulgada ao Valor Econômico.
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