- A Intenção de Consumo das Famílias subiu 1,6% de abril para maio, para 106,6 pontos, a sétima alta consecutiva e o maior patamar desde março de 2015.
- Em relação a maio do ano anterior, o índice avançou 3,3%.
- Os bens duráveis tiveram alta de 1,1% no mês, com ganho de 18,5% na comparaçao anual.
- No mês, emprego atual subiu 2%, renda atual subiu 1,8% e nível de consumo atual subiu 1,4%; o consumo atual ficou em 93,8 pontos.
- Perspectivas: a perspectiva profissional recuou 5,9% frente a igual mês de 2024, enquanto a perspectiva de consumo subiu 1,7% e o acesso ao crédito avançou 1%.
A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) atingiu 106,6 pontos em maio, alta de 1,6% em relação a abril. O indicador, calculado pela CNC (Confederação Nacional do Comércio), marcou a sétima elevação mensal consecutiva e chegou ao maior patamar desde março de 2015, quando ficou em 108 pontos. Em comparação anual, houve avanço de 3,3%.
O aumento de abril para maio também se refletiu em diferentes componentes: houve alta de 1,1% na disposição para a compra de bens duráveis e de 2% no item que avalia o emprego atual. A renda atual subiu 1,8%, e o nível de consumo avançou 1,4%. Perspectiva profissional subiu 1,1%, enquanto a perspectiva de consumo cresceu 1,7% e o acesso ao crédito subiu 1%.
Na visão da CNC, a recuperação da Intenção de Consumo desde o fim de 2025 indica melhoria gradual da percepção das famílias, especialmente diante de um ambiente de inflação mais contida em bens duráveis. No entanto, a taxa Selic, em 14,5% ao ano, é apontada como entrave ao crédito e ao consumo imediato, freando a recuperação econômica.
Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o crescimento significativo na aquisição de bens duráveis reflete alívio inflacionário setorial, mas o comércio ainda encara incertezas. Tadros reforça que juros elevados reduzem o poder de compra e comprometem margens de venda.
O estudo destaca que, apesar do mercado de trabalho manter condições consideradas historicamente favoráveis, há sinais de cautela quanto às perspectivas de emprego. O emprego atual, que havia apresentado melhora, recuou em maio frente ao mesmo mês do ano passado, e a perspectiva profissional continua com quedas em comparação anual.
A pesquisa também aponta impactos dos juros altos no consumo imediato. Mesmo com aumento de 1,4% ante abril e 3,4% ante maio de 2025, o consumo atual ficou em 93,8 pontos, o único componente da ICF abaixo de 100 pontos, indicador tradicional de pessimismo.
Faixas de renda
A análise por renda mostra que a sustentação do consumo, no longo prazo, vem principalmente da população de menor renda. Entre os que ganham até 10 salários, a ICF subiu 3,9% na base anual, impulsionada por alta de 1,6% no emprego atual e expectativa de compras futuras 4,1% mais otimista.
Segundo a CNC, esse grupo se beneficia do INPC, que atingiu 4,11% em 12 meses até abril, abaixo do IPCA, aumentando o poder de compra relativo. Já as famílias com renda acima de 10 salários tiveram alta anual de 1,4% na intenção de consumo, com menor sensibilidade às melhorias do mercado de trabalho, já que o emprego atual caiu 0,1% no ano.
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