- As ações da Ferrari caíram 8,4% em Milão e mais de 5% em Nova York após a divulgação do Luce, o primeiro veículo totalmente elétrico da marca.
- O Luce é um sedan familiar de quatro portas e cinco lugares, com preço de € 550.000, desenvolvido com a colaboração de Jony Ive e do coletivo LoveFrom.
- O lançamento gerou debates sobre a fidelidade da Ferrari à sua identidade e sobre a viabilidade de ampliar a linha com elétricos.
- O modelo será entregue no quarto trimestre e mira mercados como a China, buscando atrair novos compradores, incluindo entusiastas de tecnologia.
- Críticas de figuras históricas e reação negativa em redes sociais destacam o ceticismo sobre a mudança de imagem da marca.
A Ferrari viu as ações recuarem após a apresentação do Luce, o primeiro SUV elétrico da marca italiana de luxo. O anúncio — feito na segunda-feira, 25 de março, em meio aos preparativos para a entrega prevista no quarto trimestre — gerou dúvidas sobre a compatibilidade do modelo com a identidade da fabricante.
O Luce custa cerca de € 550.000 e foi desenvolvido com a participação do ex-diretor de design da Apple, Jony Ive, e do coletivo LoveFrom. O posicionamento da Ferrari no segmento de veículos totalmente elétricos marca uma mudança significativa na estratégia da marca.
Desempenho das ações e reação do mercado
Nesta terça-feira, 26 de março, as ações da Ferrari listadas em Milão caíram 8,4%. Em Nova York, os papéis recuaram mais de 5%, ampliando a tensão entre investidores e analistas. A reação refletiu preocupações sobre a continuidade da identidade da marca.
Analistas ouvidos pela Reuters apontaram que o peso do mercado foi dividido entre a decepção estética do veículo e as implicações da ampliação da linha para a eletrificação. A Ferrari trabalha para preservar exclusividade e poder de precificação diante da demanda por EVs de luxo.
Reações de figuras e visão de mercado
Entre críticas online, a aparência do Luce também recebeu críticas públicas. A trajetória histórica da marca, associada a motores de alta performance, foi questionada por personalidades ligadas ao setor, que ponderam o impacto da transição.
O ex-líder da Ferrari, Luca Cordero di Montezemolo, manifestou desconforto com o modelo, sugerindo que o veículo não seria fiel à tradição da marca. A Ferrari ressalta que o Luce visa abrir novos mercados, incluindo a China, e atrair clientes de tecnologia e novos públicos de alto poder aquisitivo.
Perspectivas e próximos passos
O Luce é apresentado como o primeiro carro totalmente elétrico da Ferrari, com foco em mercados emergentes e clientes de alto patrimônio. A montadora pretende iniciar entregas no quarto trimestre e explorar oportunidades de crescimento fora da base tradicional.
O fabricante sinaliza que o novo modelo pode atuar como nicho dentro de uma estratégia mais ampla de eletrificação, enquanto mantém o portfólio de modelos de combustão. A Reuters informou que a Ferrari adiou o lançamento de um segundo EV para, no mínimo, 2028.
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