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Aumento de custos deve alterar contratações, diz pesquisador

Pesquisador da FGV Ibre alerta que fim da escala 6x1 pode elevar custo por hora, aumentar rotatividade e pressionar preços, com queda do salário mensal

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  • Proposta de fim da escala 6×1 prevê redução da jornada de 44 para 40 horas semanais sem redução salarial, com implantação em até 14 meses após a promulgação; texto aguarda parecer final de Maurício Marcon.
  • Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador do FGV Ibre, diz que o aumento de cerca de 10% no valor da hora trabalhada pode elevar custos das empresas sem ganhos de produtividade.
  • A medida pode elevar a rotatividade, já que empresas podem substituir trabalhadores mais caros por outros de menor custo; salário mensal também tende a cair, mesmo com salário por hora maior.
  • Trabalhadores que recebem comissão podem sofrer ainda mais, pois o piso permanece, mas as comissões devem cair com a redução das horas.
  • Há risco de informalidade e pressão inflacionária: custos maiores podem levar empresas a repassar preços, aumentando o custo de bens e serviços para o trabalhador; produtividade brasileira já é limitada por fatores estruturais.

A proposta de fim da escala 6×1, que reduziria a jornada de 44 para 40 horas semanais sem redução salarial, pode impactar o mercado de trabalho brasileiro. A avaliação é do pesquisador Fernando de Holanda Barbosa Filho, do FGV Ibre. O parecer envolve o deputado Léo Prates, que prevê implementação em até 14 meses after promulgação, com redução gradual da jornada. Maurício Marcon pediu vista ao texto.

Segundo o pesquisador, a mudança elevaria o custo por hora trabalhada em cerca de 10%. Sem ganhos de produtividade, a jornada mais curta tende a aumentar custos para as empresas. A consequência imediata seria maior rotatividade de trabalhadores, com troca de empregados mais caros por outros mais baratos.

Aumento da rotatividade pode provocar queda no salário mensal, mesmo com salário por hora maior. O efeito ocorre conforme as empresas ajustam o quadro de pessoal. Trabalhadores que recebem commissionamento devem enfrentar maior pressão para reduzir horas, com impacto no piso salarial e nas comissões.

Risco de informalidade também é destacado pelo pesquisador. Em um cenário de custos mais altos, trabalhadores com produtividade próxima do custo podem migrar para a informalidade, dificultando vínculos formais. A mudança impactaria a relação custo-produto.

O aumento de custos de produção tende a ser repassado aos preços de bens e serviços, potencializando a inflação. Dados internacionais apontam que a produtividade por hora no Brasil é menor que a de economias como os EUA, o que reforça dúvidas sobre ganhos de eficiência com a medida.

Produtividade é apontada como o eixo central do debate. Barbosa Filho cita fatores estruturais, como burocracia, regulação e qualificação, que influem na produção. A relação entre jornada e produtividade é complexa e não é determinante apenas pela duração da semana de trabalho.

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