- O mercado global da carne regenerativa pode ultrapassar US$ 5,2 bilhões (R$ 29,3 bilhões) até 2034, segundo a Polaris Market Research.
- O interesse pela dieta carnívora cresceu 94% entre 2024 e 2025, chegando a cerca de 1,8 milhão de pesquisas mensais até fevereiro de 2025; no Instagram, a hashtag #carnivore soma cerca de 2,6 milhões de publicações.
- Empresas destacam origem ética, bem-estar animal, agricultura regenerativa e transparência da cadeia de suprimentos como diferenciais.
- Parcerias em andamento incluem a Sustainable Beef com a Lumachain para monitoramento em tempo real do bem‑estar animal por visão computacional, substituindo auditorias manuais.
- O crescimento inclui suplementos de órgãos (fígado, coração, rins, medula óssea) e snacks de carne premium, com marcas como The Ethical Butcher e a Ancestral Supplements entre as mais ativas nesse movimento.
Com o foco cada vez maior na alimentação baseada em carne, surge um mercado de carne regenerativa que já movimenta bilhões de dólares e promete ultrapassar US$ 5,2 bilhões até 2034, segundo pesquisas do setor. O fenômeno, antes visto como modismo, ganhou impulso por uma nova leitura de bem-estar, ética e sustentabilidade.
A ascensão é alimentada pela presença intensa de comunidades online, podcasts e redes sociais dedicadas a estilos de vida de dieta carnívora, também chamada de dieta ancestral. Dados de buscas indicam crescimento expressivo entre 2024 e 2025, com cerca de 1,8 milhão de pesquisas mensais até fevereiro de 2025, e a hashtag #carnivore com milhões de publicações no Instagram.
A mudança de mentalidade irresistível para o setor envolve marcas que destacam origem ética, bem-estar animal e transparência na cadeia de suprimentos. Empresas que vendem suplementos de órgãos, snacks de carne liofilizada e caixas de assinatura de carnes relatam alta demanda, enquanto reforçam práticas de agricultura regenerativa.
Executivos do setor mencionam a importância da origem ética e da transparência para sustentar o crescimento. O executivo Chris Ricci, da Ancestral Supplements, reforça que marcas que investem em origem responsável e rastreabilidade tendem a liderar, citando também a atuação da empresa na venda de cápsulas de carne de órgãos.
Em meados de 2025, houve anúncio de parceria entre a Sustainable Beef, empresa do setor, e a Lumachain, de Sydney, para implantar monitoramento do bem-estar animal em tempo real por visão computacional na nova unidade de processamento em Nebraska, substituindo auditorias manuais por tecnologia de IA.
Tendência mundial da carne de origem ética
O mercado global de carne regenerativa deve superar US$ 5,2 bilhões até 2034, segundo a Polaris Market Research, refletindo a demanda por sistemas produtivos mais sustentáveis. Na pecuária bovina, práticas regenerativas incluem pastejo rotativo, restauração de pastagens e manejo de rebanho para reduzir impactos ambientais.
A The Ethical Butcher, braço de comércio eletrônico britânico, é citada como exemplo de marca que investe na rastreabilidade e na ética da origem. O fundador Farshad Kazemian afirma que o crescimento da conscientização pública sustenta a demanda por carne cuja produção favorece saúde do solo e bem-estar animal.
Suplementos de órgãos aparecem como parte do novo impulso da economia de bem-estar. Cápsulas de fígado, coração, rins e medula óssea, oriundas de fazendas regenerativas, são promovidos como fontes concentradas de vitaminas e minerais, ampliando o alcance do setor além de cortes tradicionais.
A Ancestral Supplements aparece entre as marcas dominantes desse segmento, com expansão de receita nos últimos três anos, segundo relatos do mercado. Esse movimento coincide com o ressurgimento da procura por vísceras e por oleoides, impulsionado por correntes associadas a bem-estar e nutrição celular.
Crescimento e consumo
Entre os snacks de carne, a Carnivore Snax ganhou espaço desde 2020, com receita mensal que atingiu patamares próximos de US$ 850 mil em 2023. Os produtos, vendidos a valores que podem chegar a US$ 30 por embalagem, são apresentados como itens de qualidade com origem ética.
O apelo ao consumidor envolve percepção de qualidade, rastreabilidade e impacto positivo da produção na saúde do solo e no bem-estar animal. Serviços de assinatura de carne emergem como ferramenta de fidelização, acompanhando a demanda por produtos cárneos mais confiáveis.
O mercado, no entanto, permanece polarizado. A pecuária continua responsável por emissões de gases de efeito estufa na agricultura, o que motiva debates sobre o peso ambiental da produção. Pesquisas apontam que práticas regenerativas podem mitigar parte desse impacto, sem sacrificar a nutrição.
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