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Estratégia chinesa de soberania alimentar e seus reflexos no Brasil

Ricardo Abramovay alerta para a fragilidade tecnológica do agronegócio brasileiro e defende agro regenerativo frente à estratégia chinesa de soberania alimentar

Imagem de uma mão espalmada sobre a qual se depositam grãos de soja
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  • China investe em soberania alimentar para reduzir a dependência de importações de soja e proteínas vegetais, ampliando produção interna, bioinsumos e tecnologia ligada à transição energética e alimentar.
  • A estratégia ganhou força após Xi Jinping chegar ao poder em 2013 e se intensificou com tensões geopolíticas recentes, como a guerra da Ucrânia e conflitos no Oriente Médio.
  • No Brasil, o especialista Ricardo Abramovay aponta dependência excessiva das exportações de commodities, especialmente soja e carne, e fragilidade tecnológica por importações de fertilizantes e agrotóxicos.
  • O uso atual de fertilizantes e agrotóxicos é associado a impactos ambientais, como emissões de gases de efeito estufa e desmatamento, gerando apelo por alternativas mais sustentáveis.
  • Propõe-se a agricultura regenerativa: cooperação com processos biológicos do solo, uso de bioinsumos e microorganismos, para reduzir insumos importados e tornar a produção mais resiliente e sustentável.

O Brasil enfrenta uma dependência estruturante na exportação de commodities agrícolas, sobretudo soja e carne. A estratégia chinesa busca reduzir a vulnerabilidade de sua cadeia alimentar com foco na soberania interna. O esforço ganhou impulso após Xi Jinping assumir o poder em 2013 e se intensificou diante de tensões globais recentes.

A China não pretende abandonar as importações, mas diversificar suas fontes e acelerar produção interna de proteínas, aminoácidos, bioinsumos e tecnologias associadas ao agronegócio. O objetivo é ampliar segurança alimentar diante de cenários geopolíticos e de mudanças climáticas.

O Brasil e a avaliação tecnológica da agropecuária

Ricardo Abramovay, coordenador do projeto INCT Superar na USP, aponta fragilidades estruturais no modelo agroexportador brasileiro. Segundo ele, a dependência de fertilizantes sintéticos e de agrotóxicos importados pode chegar a 90%.

Ele ressalta que a base tecnológica atual está sustentada por insumos importados, o que expõe o setor a riscos externos. Além disso, o uso de aditivos e químicos nos grãos impõe desafios para o teor alimentar e para a saúde pública.

Adependência de insumos também eleva custos e pressiona a balança comercial diante de oscilações de preço no mercado internacional. Em paralelo, a preocupação ambiental cresce, com impactos de fertilizantes e desmatamento associados ao modelo vigente.

A proposta de transformação e seus componentes

Abramovay defende uma mudança institucional que conecte ciência, tecnologia e prática agropecuária. A ideia é trabalhar com processos biológicos do solo, microorganismos e bioinsumos para recuperar a fertilidade.

A perspectiva não é retornar ao passado, mas apostar em inovação para sistemas produtivos mais resilientes. O foco está em reduzir a dependência de insumos importados e alinhar produção com exigências climáticas e mercadológicas.

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