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Luxo sustentável é possível? Debates sobre impacto e práticas

Lipovetsky afirma que o luxo precisa reinventar-se diante da crise ambiental, migrando da promessa do belo para experiências existenciais

O luxo pode ser sustentável? — Foto: Arquivo Vogue/ MAR+VIN
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  • O filósofo francês Gilles Lipovetsky chegou ao Brasil em maio para participar da São Paulo Innovation Week, falando sobre sociedade, moda e luxo.
  • Ele afirma que a sustentabilidade passou a ser a principal tensão para as grifes de luxo, indo além da fabricação para o consumo e descarte.
  • A crise ambiental desafia a ideia de perenidade e beleza associadas ao luxo, exigindo nova narrativa do setor.
  • Lipovetsky defende que o luxo precisa inovar com memória e tornar a sustentabilidade uma pauta legítima, diante do risco de greenwashing.
  • O mercado de luxo movimenta mais de 1,5 trilhão de euros ao ano e tende a apostar em serviços e experiências hiperpersonalizadas, além de objetos.

O filósofo francês Gilles Lipovetsky esteve no Brasil neste mês de maio para discutir sociedade, moda e luxo, pauta que acompanha sua atuação há quatro décadas. Participou como um dos palestrantes da São Paulo Innovation Week, mantendo presença acessível entre executivos, pesquisadores e público interessado.

Durante o painel, Lipovetsky apontou a sustentabilidade como a principal tensão para as grifes de luxo, indo além da produção e do descarte. Segundo ele, a crise ambiental coloca em xeque a ideia de perenidade e o conceito de beleza que move o setor.

Ele reforçou que o luxo sempre prometeu o belo, o raro e o eterno, mas o contexto atual traz a necessidade de repensar essa narrativa. O tema exige estratégias claras para manter a atratividade sem ignorar a crise ecológica.

O paradoxo entre o eterno e o esgotamento

O mercado de luxo opera com códigos de atemporalidade, exclusividade e tradição. A crise climática chegou para provocar mudanças importantes na forma de construir desejo, memória e inovação.

Para Lipovetsky, o maior desafio é sustentar a ideia de perenidade em um cenário de esgotamento dos recursos. A plateia acompanhou a reflexão sobre como manter o encanto sem comprometer o planeta.

Não se trata apenas de conservar o mundo, mas de preservar o próprio setor. O luxo precisa adaptar seus pilares para não perder relevância diante da crise ambiental.

Inovação com memória como resposta à crise climática

O caminho apontado pelo filósofo passa pela inovação voltada ao futuro, não apenas pelo resgate do passado. A sustentabilidade deve se tornar parte da legitimidade do setor, especialmente frente ao risco de greenwashing.

Lipovetsky afirma que o luxo deve reinventar a construção do desejo, indo além de produtos. Serviços e experiências hiperpersonalizadas ganham espaço, conectando o consumidor a momentos de pertencimento e conforto.

O consumidor atual busca sensações e pertencimento, não apenas posse de itens. Segundo o pensador, o luxo do futuro será mais existencial, deslocando o valor do objeto para a experiência oferecida.

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