- Em 2024, o Brasil registrou 37.150 mortes no trânsito, com motos respondendo por 15.459 óbitos (41,6% do total); em 2014 foram 43.780 mortes, e motos 12.604 (28,7%).
- Entre 2019 e 2024, mortes no trânsito envolvendo motocicletas subiram 38%, de 11.182 para 15.459.
- A taxa de óbitos no trânsito em 2024 foi de aproximadamente 17,5 por 100 mil habitantes, menor que 2014 (21,9), mas com sinais de alta recente; o estudo destaca a pressão por produtividade e vulnerabilidade de trabalhadores de aplicativos.
- O estudo aponta que a expansão da economia de aplicativos transformou as motos em meio de trabalho para muitos, especialmente no Norte e Nordeste, aumentando o risco para jovens.
- Em armas de fogo, 29.870 homicídios em 2024, queda de 8,8% frente a 2023 e de 31,2% frente a 2014; 70,1% dos homicídios foram com arma de fogo, com maior participação na região Nordeste.
Em 2024, o Brasil registrou 37.150 mortes no trânsito. As motocicletas responderam por 41,6% das fatalidades em vias terrestres, com 15.459 óbitos. Em 2014, foram 43.780 mortes no trânsito, e 12.604 envolvendo motos (28,7%). Os dados são do Atlas da Violência 2026, produzido pelo Ipea e pelo FBSP e divulgado hoje.
A publicação aponta que o trânsito é uma das principais causas de violência letal no país. Embora haja queda de 20% nas mortes totais no trânsito em uma década, as mortes envolvendo motos aumentaram em 2024 ante 2014.
Motociclistas de aplicativo
A análise mostra que a expansão da economia de aplicativos mudou a mobilidade urbana, tornando a motocicleta uma atividade de trabalho para parcela da população, especialmente no Norte e no Nordeste. Entre 2019 e 2024, as mortes com motos subiram 38%, de 11.182 para 15.459.
Em 2024, a taxa de óbitos no trânsito ficou em cerca de 17,5 por 100 mil habitantes, menor que 21,9 em 2014, mas com sinais de novo aumento. Os pesquisadores destacam a pressão por produtividade, a ausência de proteção social e jornadas extensas como fatores de maior exposição.
O coordenador do Atlas, Daniel Cerqueira, comenta que o jovem está mais exposto ao risco em diversas situações. No caso do serviço de mototáxis, a exposição se estende ao carona. No Piauí, motocicletas estiveram envolvidas em 72,7% das mortes no trânsito em 2024, bem acima da média nacional.
Entre as medidas urgentes, Cerqueira cita redução de velocidade, educação para o trânsito, melhoria da infraestrutura viária e de gestão, fiscalização e regulação. Ele ressalta a necessidade de considerar legislação específica para esse tema.
Armas de fogo
Em 2024, o Brasil registrou 29.870 homicídios cometidos com armas de fogo, queda de 8,8% frente a 2023 e de 31,2% em relação a 2014. A taxa de homicídios por 100 mil habitantes foi de 14,1, redução de 9% frente ao ano anterior e de 35% frente a 2014.
Entre 2014 e 2024, a redução predominou na maior parte do país. Cinco estados tiveram aumento absoluto: Amapá, Roraima, Pernambuco, Piauí e Bahia. Em 2024, armas de fogo responderam por 70,1% dos homicídios, menor marca da década.
Entre os dez estados com maior participação de armas nos homicídios, oito ficam na Região Nordeste, com Ceará, Paraíba, Amapá e Bahia acima de 80%. Distrito Federal, Roraima e Tocantins apresentam os menores percentuais. Os pesquisadores apontam uma fragmentação das dinâmicas da violência letal no país.
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