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Acusação de espionagem é cortina de fumaça, diz vice-presidente da Keeta

Keeta rebate espionagem como cortina de fumaça e destaca urgência de regulamentação de contratos de exclusividade para expansão no Brasil

Danilo Mansano, vice-presidente da Keeta, durante entrevista para o C-Level, em Brasília
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  • Keeta: o vice-presidente Danilo Mansano afirma que a acusação de espionagem do iFood é cortina de fumaça para esconder o relatório do Cade que indicaria descumprimento de acordo de exclusividade.
  • Cade investiga cláusulas de banimento e indícios de violação de acordo envolvendo o iFood, com possibilidade de sanções.
  • Keeta diz que veio para ficar no Brasil, com investimento de 5,6 bilhões de reais e operação em São Paulo e Baixada Santista, contando com cerca de 40 mil restaurantes.
  • Executivo aponta que mais de cinquenta por cento das redes estavam em algum tipo de exclusividade ou banimento em relação à Keeta.
  • A expansão da Keeta depende de regulamentação de contratos de exclusividade e banimentos; o tema de remuneração de entregadores é discutido no contexto de propostas do governo.

A Keeta, braço internacional da Meituan, líder global em delivery, nega que a acusação de espionagem feita pelo iFood seja um recurso para encobrir investigações do Cade. Segundo o vice-presidente da Keeta, Danilo Mansano, a versão da empresa é que o processo movido em 19 de maio é apenas uma cortina de fumaça. A empresa afirma que o Cade investiga supostos descumprimentos de um acordo de exclusividade firmado em 2023.

Mansano afirmou que a Keeta veio ao Brasil para acelerar o crescimento do mercado, e que investirá R$ 5,6 bilhões no país. Ele disse ainda que o patrimônio financeiro já está aplicado e que a expansão depende de regras mais claras sobre contratos de exclusividade e de banimento entre plataformas.

O Cade abriu, em março, uma investigação sobre cláusulas de banimento ligadas à 99Food. Em 15 de maio, o órgão apontou indícios de descumprimento de acordo envolvendo o iFood, o que pode resultar em sanções. O iFood acusa a Keeta de oferecer pagamentos a funcionários para obter informações sigilosas.

Ao falar sobre a operação, Mansano disse que a Keeta atua na região metropolitana de São Paulo e na Baixada Santista, com cerca de 40 mil restaurantes cadastrados. Ele afirmou que muitos desses negócios são pequenos empreendimentos.

A Keeta afirma ter realizado um levantamento interno com mais de 1.000 colaboradores para mapear contratos de exclusividade, descobrindo que 55% das redes estariam sob algum acordo desse tipo. A empresa aponta dificuldades de inserção de grandes redes sem regulamentação adequada.

Sobre o papel regulatório, o executivo disse que a regulamentação é fundamental para viabilizar operações locais. Sem clareza, ele sustenta que a expansão da Keeta fica dificultada e que o lançamento no Rio de Janeiro poderia ter sido adiado por questões contratuais.

Questionado sobre as supostas retaliações a restaurantes que assinam com a Keeta, Mansano afirmou que a empresa está aberta a tratar caso a caso, destacando que o ambiente regulatório atual é o principal entrave. Não houve confirmação de planos de compensação para rompimento de contratos.

A respeito das acusações de espionagem, Mansano reiterou que não houve prática ilegal. Segundo ele, esse tema pode ter servido para desviar o foco das investigações do Cade sobre contratos de exclusividade. A Keeta diz manter a estratégia de longo prazo no Brasil.

Sobre a regulamentação do trabalho em apps de entrega, Mansano afirmou que a empresa apoia um debate amplo entre as partes. Em relação ao piso mínimo de R$ 10 por corrida defendido pelo governo, ele apontou que isso poderia reduzir a demanda e comprometer a renda dos entregadores, sugerindo remuneração por hora como alternativa.

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