- O BRB Dux Visa Infinite, lançado em 2021 para alta renda, era visto como um dos melhores cartões premium por benefícios de viagens, com 5 pontos por dólar em compras nacionais e 7 pontos por dólar em internacionais, além de salas VIP ilimitadas.
- A entrada no BRB Dux ocorre por convite ou avaliação gerencial, com clientes correntistas mantendo relacionamento e investimentos a partir de R$ 300 mil.
- A crise ligada à tentativa de aquisição do Banco Master resultou em dúvidas sobre o BRB: em março de 2025 foi anunciado um acordo para comprar 58% do Master, o Cade foi favorável em junho, mas o Banco Central rejeitou a operação no mês seguinte.
- O BRB adiou a entrega do balanço referente a 2025, aumentando as incertezas e levando clientes a reverem o armazenamento de patrimônio na instituição para manter os benefícios do cartão.
- Relatos de clientes mostram redução de investimentos e uso menor do Dux; especialistas destacam que crises de reputação afetam a confiança, mas o BRB ainda é considerado competitivo no segmento de alta renda.
O cartão BRB Dux Visa Infinite, do BRB, deixou de ser visto apenas como um produto desejado pela alta renda para ganhar cautela entre clientes após a crise ligada à tentativa de aquisição do Banco Master pelo banco estatal. Mesmo com benefícios ainda competitivos, clientes relatam menor disposição de manter investimentos ligados ao BRB.
Lançado em 2021 em parceria com a Visa, o BRB Dux é voltado ao segmento de alta renda. O banco o promove como com foco em viagens e conveniência, com pontuação de 5 pontos por dólar em compras nacionais e 7 pontos em internacionais, além de acesso ilimitado a salas VIP.
Para entrar na lista de contemplados, o cartão exige convite ou avaliação gerencial e investimentos a partir de 300 mil reais, além de um relacionamento ativo com o BRB. A exigência de capital passou a trazer incertezas após a crise envolvendo o Master.
Contexto da crise e desdobramentos
Em 2025, o BRB anunciou a aquisição de 58% do Banco Master, com parecer favorável do Cade em junho, mas o BC rejeitou a operação no mês seguinte. A notícia elevou dúvidas sobre a situação financeira do Master e impactos no BRB, que adiou a entrega do balanço de 2025.
Como consequência, clientes passaram a rever a concentração de patrimônio para manter os benefícios do BRB Dux. Atrasos no crédito de pontos e cobranças indevidas em cartões adicionais foram relatados por clientes ouvidos pelo Valor Investe.
Taciano Queiroz, cliente desde 2024, viu o Dux como cartão de grande atratividade para viagens. Após a crise, ele relata aprovação apenas na segunda tentativa, com exigências menores. Hoje afirma manter o cartão ativo, mas com uso reduzido, mantendo investimentos fora do BRB.
Outra cliente, que prefere permanecer anônima, diz que o Dux foi o cartão principal por anos devido aos benefícios. Mesmo assim, afirmou ter retirado todos os investimentos do banco e deixou o cartão em segundo plano, mantendo-o apenas por conveniência.
Perspectivas de mercado
Especialista em cartões, Fabrício Winter aponta que crises reputacionais costumam reduzir a disposição de manter patrimônio em instituições envolvidas em problemas de imagem. Em cartões de alta renda, a confiança é essencial para sustentar o relacionamento, além dos benefícios.
Ele ressalta que o BRB, como banco público, traz uma leitura de risco distinta, mas não elimina preocupações de gestão. No caso de problemas institucionais específicos, pode haver fuga de clientes e menor atratividade de produtos vinculados ao relacionamento.
O BRB não informou oficialmente se houve queda no número de clientes do BRB Dux. Mesmo diante da cautela, clientes avaliam que o cartão continua competitivo entre os de alta renda, embora com prioridade menor frente a incertezas recentes.
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