- Bordeaux vive a terceira maior crise da história do setor, com desinvestimentos, pragas e dificuldades econômicas que afetam milhares de famílias.
- O livro, resultado de oitenta podcasts produzidos por César Compadre e Mathieu Hervé, usa vinte e seis transcrições para mostrar visões de proprietários, enólogos, diretores de propriedades e outros atores.
- O volume reúne relatos de nomes como Philippe Castéja, Hubert de Boüard, Bernard Magrez e Florence Cathiard, entre outros, para mapear o atual cenário do vinho na região.
- O panorama aponta arrais de vinhas, falências e dramas familiares, mas também oferece análises que apontam caminhos de recuperação e renovação.
- Segundo o último relatório da Organização Internacional da Vigne et du Vin (OIV), a demanda mundial por vinho caiu dois vírgula sete por cento em 2025, e desde 2018 o consumo global recuou quatorze por cento.
O livro Ou vai Bordeaux? analisa a crise na região de Bordeaux, capital mundial do vinho, mostrando os caminhos para a recuperação. Resultado de uma série de 80 podcasts, o trabalho reúne 26 entrevistas de proprietários, enólogos, diretores de propriedades e pesquisadores. Os autores são César Compadre e Mathieu Hervé.
A obra retrata o cenário atual do vinho na região, com relatos sobre arrachages, fechamentos de propriedades, falências e impactos familiares. O tom é crítico, mas aponta também pontos de esperança para o setor, com avaliações de gestores e economistas sobre o futuro do ciclo vitivinícola.
O livro surgiu de uma produção contínua para o grupo Sud Ouest, com entrevistas transcritas para compor o texto. Entre os entrevistados estão nomes como Philippe Castéja, Hubert de Boüard, Bernard Magrez e Florence Cathiard, além de enólogos e diretores de propriedades.
Contexto global e sinais de crise
A pesquisa se ancora em dados recentes da OIV, que mostram queda na demanda mundial por vinho. Em 2025, o consumo global recuou 2,7% em relação ao ano anterior, marcando o menor patamar desde 1957. Desde 2018, a queda acumulada chega a 14%.
O livro aponta que a crise na Bordeaux não é apenas local, mas integrada a tendências internacionais de consumo, oferta e preço. Autores destacam a necessidade de diversificação, inovação e reposicionamento de marcas para enfrentar o cenário adverso.
Desdobramentos locais e perspectivas
Os relatos destacam estratégias de reorganização de estates, planos de reestruturação e novas apuestas comerciais. A análise considera impactos econômicos para comunidades locais e famílias, com relatos de ajustes operacionais nas propriedades.
O texto também enfatiza o papel de pesquisadores, universidades e técnicos no redesenho da viticultura. Segundo os autores, o diálogo entre os agentes da cadeia é essencial para reconstruir o setor diante dos desafios de curto e longo prazo.
Caminhos para a reinvenção
Entre as propostas discutidas estão ajustes de produção, reavaliação de portfólio de vinhos e maior foco em vinhos de alto valor agregado. A obra sugere que a região precisa combinar tradição com inovação para retornar ao dinamismo econômico.
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