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Crescimento país depende de reforma da Previdência e combate aos supersalários

Economistas recomendam reforma da Previdência, desvinculação de receitas, combate a supersalários e reforma administrativa para reduzir déficit e estimular o crescimento

Painel sobre a situação fiscal brasileira com Jessika Moreira, Pedro Parente e Marcos Mendes
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  • O evento Brasil Adiante, promovido pelo Estadão, discutiu o caminho fiscal do país, destacando a necessidade de ajuste de 4% do PIB e combate aos supersalários.
  • Três medidas consideradas urgentes: desvinculação da receita da despesa, desindexação de gastos previdenciários e uma reforma da Previdência, com salário mínimo indexado ao IPCA.
  • A ideia é apresentar um pacote amplo de reformas fiscais e de produtividade já no primeiro dia do próximo governo para pressionar o Congresso.
  • É necessária uma mudança de mentalidade política e uma reforma administrativa que priorize mérito, gestão eficiente e redução da burocracia.
  • Também há crítica à captura de agências reguladoras, à distorção na distribuição de recursos do pré-sal e à desigualdade no funcionalismo, que precisa de maior alinhamento com metas públicas.

O evento Brasil Adiante, promovido pelo Estadão, reuniu especialistas para debater medidas urgentes para reequilibrar as contas públicas e impulsar o desenvolvimento. A discussão ocorreu nesta quarta-feira, 27, em Brasília. O foco foi o ajuste fiscal e as reformas de longo prazo.

Marcos Mendes, economista do Insper, afirmou que não existe uma bala de prata para a nossa situação fiscal. Ele apresentou a necessidade de um ajuste de 4% do PIB, destacando que mudanças pequenas não bastam. Aponte a necessidade de reformas estruturais de verdade.

Pedro Parente, ex-presidente da Petrobras e ex-ministro da Casa Civil, ressaltou que a mentalidade pública precisa mudar. Em sua leitura, sem liderança de longo prazo, as reformas não avançam. Também criticou a cultura de premiar a burocracia sem resultados.

Jéssika Moreira, diretora-executiva do Movimento Pessoas à Frente, defendeu uma reforma administrativa com foco na gestão de pessoas. Ela destacou a importância de reduzir supersalários e reduzir desigualdades no serviço público para melhorar a produtividade.

Medidas fiscais essenciais

Mendes destacou três caminhos para iniciar a transformação: desvincular receita de despesa, desindexar benefícios previdenciários assistenciais e promover uma reforma da Previdência abrangente. Ele sugeriu que o salário seja indexado ao IPCA e a unificação de políticas sociais.

Parente concordou que mudanças estruturais dependem de uma liderança com visão de longo prazo. Ele criticou a pressão de interesses setoriais sobre órgãos reguladores e afirmou que o Brasil precisa de autonomia técnica para agir.

Reforma institucional e governança

Moreira apontou a necessidade de um sistema de alta liderança na administração pública. Segundo ela, cargos de comando devem exigir competência comprovada, com menos influência política em decisões de gestão.

Ela ainda enfatizou a urgência de um acordo entre os Três Poderes para uma política remuneratória mais justa e a aplicação efetiva do teto salarial. O objetivo é valorizar quem entrega resultados e fortalecer a governança.

Perspectivas para o próximo governo

Os debatedores defenderam que o próximo governo apresente um pacote amplo de reformas já no primeiro dia, para forçar o debate no Congresso. A ideia é evitar que o tema seja pilhado por interesses momentâneos antes de eleições.

A discussão concluiu que sem mudanças de mentalidade política e governança, o país continuará enfrentando as mesmas armadilhas fiscais e crises setoriais. A definição de prioridades permanece em aberto.

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