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Dilemas éticos são maiores riscos corporativos no Brasil, aponta pesquisa

Dilemas éticos de baixa resistência são o maior risco corporativo no Brasil, com conflitos de interesse, assédio moral e recebimento de presentes entre as vulnerabilidades

Corrupções iniciam quando dilemas éticos são normalizados, aponta levantamento da S2 Consultoria
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  • A pesquisa Atlas PIR, da S2 Consultoria, com participação de 48 mil profissionais em 449 organizações de 13 setores, aponta dilemas éticos de baixa resistência como o maior risco corporativo no Brasil.
  • Os principais dilemas identificados são conflitos de interesse (18,2%), assédio moral (16,9%) e recebimento de presentes (15,1%).
  • Desvio de recursos (1%) e sonegação de impostos (0,4%) aparecem com índices bem menores de aceitação entre trabalhadores.
  • Na saúde, o maior dilema é o conflito de interesse (23,9%); na indústria, o destaque é o vazamento de informações (22,2%); entre cargos mais altos, o vazamento de informações (22,1%).
  • A pesquisa será oficialmente compartilhada com o mercado no dia 27, durante o congresso Behavioral Science Lab, da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da USP.

O maior risco corporativo no Brasil, segundo a Atlas PIR, da S2 Consultoria, não é a corrupção explícita, mas dilemas éticos de baixa resistência. A conclusão aparece em levantamento obtido com exclusividade pelo CNN Money.

A pesquisa ouviu mais de 48 mil profissionais de 449 organizações em 13 setores, nos últimos cinco anos. O objetivo foi mapear vulnerabilidades éticas e padrões de comportamento em contextos corporativos brasileiros.

Entre os dilemas mais presentes, destacam-se conflitos de interesse (18,2%), assédio moral (16,9%) e recebimento de presentes (15,1%). Os entrevistados consideram esses cenários os mais sedutores no dia a dia de trabalho.

Práticas associadas a crimes, como desvio de recursos (1%) e sonegação de impostos (0,4%), tiveram índices significativamente menores. A pesquisa ressalta que não se mede o caráter do respondente, apenas a resiliência diante de situações tensas.

O estudo utiliza o conceito de “zonas cinzentas da integridade”, em que fatores como favores, hierarquia, metas e presentes corporativos criam ambiguidades. Renato Santos, sócio-diretor da S2, aponta que os setores avaliam dilemas como mais aceitáveis do que crimes explícitos.

Conflitos de interesse costumam passar despercebidos como risco, muitas vezes apresentando-se sob a máscara de amizade e lealdade ao escolher fornecedores. O assédio moral aparece com maior frequência no comércio e varejo, com 29,9% de vulnerabilidade.

Na área da saúde, o conflito de interesse é o principal dilema (23,9%). Já na indústria, o vazamento de informações é o ponto crítico (22,2%), evidenciando vantagem competitiva indevida.

O levantamento também analisa o nível hierárquico: em cargos mais altos, o vazamento de informações aparece como a maior vulnerabilidade (22,1%). Os resultados destacam que o problema é contextual, variando por setor e posição.

Renato Santos explica que questões éticas não se resolvem apenas com treinamentos ou regras. Identificar problemas é o primeiro passo, diz ele, e mudanças no ambiente de trabalho são cruciais para reduzir dilemas.

Exemplos de ações propostas incluem metas mais realistas no varejo e gestão de equipes voltada a reduzir zonas cinzentas. A pesquisa PIR será oficialmente apresentada ao mercado no congresso Behavioral Science Lab, na USP, nesta quarta-feira (27).

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