- Brasil avança na reutilização de água de esgoto para usos industriais, reduzindo a dependência de água potável.
- Setores intensivos em água—siderurgia, mineração, química, papel e celulose, energia e infraestrutura—buscam abastecimento estável e gestão de riscos, com o reuso se tornando parte central da matriz hídrica.
- Potencial expressivo: estimativas internacionais apontam que uma pessoa pode gerar entre 100 e 160 litros de esgoto por dia, que, após tratamento, pode virar água industrial confiável.
- O marco regulatório do saneamento e o aumento de investimentos criam condições para projetos estruturantes que conectam saneamento, inovação e indústria.
- A prática já é adotada em outros países sob pressão hídrica, e o Brasil pretende seguir esse caminho, buscando competitividade e desenvolvimento sustentável.
A água de reuso desponta como nova fronteira da competitividade industrial no Brasil. Projetos já demonstram que é possível fornecer água com segurança, previsibilidade e qualidade para usos industriais, reduzindo a dependência de fontes potáveis.
Tradicionalmente, o esgoto era visto como passivo ambiental. Hoje, há uma mudança de paradigma: efluentes tratados viram fonte estratégica de abastecimento para a indústria, diante de demanda crescente, expansão industrial e pressão sobre mananciais.
Esse movimento busca ampliar a oferta de água sem ampliar a captação de mananciais. O reuso passa a ocupar espaço central na infraestrutura hídrica do futuro, acompanhando as mudanças climáticas e períodos de estiagem.
A água de reuso já é técnica consolidada em outros países. No Brasil, projetos industriais comprovam que é possível manter qualidade para usos industriais e reduzir a pressão sobre fontes potáveis.
Benefícios surgem em cadeia: preservação de água potável para consumo, alívio a rios e reservatórios e melhoria da eficiência do sistema hídrico. A estratégia combina racionalidade econômica com sustentabilidade.
Setores de alto consumo, como siderurgia, mineração, química, papel e celulose, energia e infraestrutura, demandam abastecimento estável para competitividade. A diversificação de fontes integra gestão de risco empresarial.
O avanço regulatório do saneamento no Brasil cria condições para ampliar investimentos e previsibilidade. Projetos estruturantes podem integrar saneamento, inovação e desenvolvimento industrial em uma agenda de longo prazo.
Em nível global, países sob pressão hídrica adotam políticas de economia circular da água. O Brasil tem potencial expressivo para transformar esgoto tratado em ativo econômico, impulsionando inovação e competitividade industrial.
João Emilio Gonçalves, diretor-presidente da Apura, e Alexandre Perufo, diretor-executivo da Apura, assinam o artigo sobre o tema. A peça enfatiza que a água de reuso pode sustentar o crescimento industrial sem ampliar a pressão sobre mananciais.
Fonte: assinatura de coluna da Apura, com base em dados e pesquisas de mercado sobre reuso de água e saneamento no Brasil.
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