- O Brasil é o 94º país mais produtivo do mundo, produzindo 21,2 dólares por hora trabalhada (paridade de poder de compra).
- Alemanha, França, Reino Unido e Itália têm produtividade por hora bem maior, e países que discutem redução da jornada o fazem em patamares elevados de produção.
- Entre 2012 e 2025, a produtividade brasileira cresceu apenas 8,3%.
- A redução da jornada é apresentada como demanda moderna, mas o texto classifica como populista, com custos futuros em investimento, competitividade e crescimento.
- Enquanto o debate avança, temas como infraestrutura, qualificação, ambiente de negócios e carga tributária seguem sem avanços; mais de 200 empresas nacionais migraram para o Paraguai (parte das referências) e exemplos internacionais mostram jornadas mais curtas acompanhadas de alta produtividade.
O debate sobre redução da jornada de trabalho no Brasil não acompanha a realidade econômica do país. A discussão foca em modelos como 4×3, fim do 6×1 ou semana de quatro dias, como se o problema fosse trabalhar demais. Na prática, o desafio está na produtividade por hora.
Dados da Organização Internacional do Trabalho mostram o Brasil ocupando a 94ª posição entre 184 países em produtividade por hora. O trabalhador produz, em média, 21,2 dólares por hora (PIB ajustado). Este quadro revela três décadas de estagnação, corporativismo e baixa alavancagem de investimentos.
Comparativamente, a produtividade alemã chega a 93,81 dólares por hora; a francesa, 88,15; a britânica, 78,05; a italiana, 77,09. Países com maior produtividade discutem redução de jornada, mas partem de patamares muito superiores ao brasileiro. Irlandeses, noruegueses, luxemburguenses e suíços lideram o ranking.
O Japão produz 56,26 dólares por hora, excedendo o Brasil. A China dobrou seu indicador desde 2010 e a Índia avançou 52% no mesmo período. Nos EUA, o ganho foi de 14,5%; na Alemanha, 16,2%. Entre 2012 e 2025, o Brasil avançou apenas 8,3% na produtividade, sinal de um ritmo pouco compatível com ambição de prosperar.
Especialistas destacam que países desenvolvidos reduziram a jornada por meio de ganhos contínuos de produtividade. Horas trabalhadas são menos relevantes quando cada hora rende mais. Reduzir a jornada antes de elevar a produção por hora pode comprometer competitividade.
O debate atual é visto como populismo de manual: benefício imediato para eleitores, custos futuros com menor investimento e queda de crescimento. A narrativa foca na conquista social, mas o impacto econômico tende a exigir ajustes estruturais.
Enquanto a agenda real envolve infraestrutura logística, qualificação profissional, ambiente de negócios, carga tributária e segurança jurídica, o país permanece com as mesmas dificuldades há décadas. O cenário aponta que produtividade permanece como o desafio central, ignorado pelo tempo.
Ao redor, há reflexo internacional: mais de 200 empresas brasileiras já migraram para o Paraguai. Enquanto isso, a China mantém jornada de 44 horas semanais, com flexibilidade de distribuição ao longo de 5 ou 6 dias. Esses movimentos sinalizam que estratégias de organização do trabalho variam conforme produtividade e custo.
Murillo de Aragão é advogado, jornalista e cientista político, CEO da Arko Advice Pesquisas e Análise Política e professor-adjunto da Universidade Columbia.
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