- Arábia Saudita passou a importar camelos da Austrália, substituindo a antiga prática de buscar no Norte da África, para atender à carne, às corridas e à peregrinação.
- Nova Zelândia importa kiwis da Itália para suprir demanda, especialmente no verão; cerca de um quarto do kiwi consumido no país vem de fora.
- Brasil importa castanha-do-pará da Bolívia, que exporta mais, com a Bolívia mantendo uma cadeia de coleta eficiente; desde 2010, a Bolívia exporta entre US$ 1 milhão e US$ 2 milhões por ano para o Brasil.
- Islândia importa gelo de Noruega, Reino Unido e Estados Unidos, porque é mais barato importar do que produzir localmente, dedicando recursos a outras indústrias.
- Emirados Árabes Unidos importam areia da Austrália, China e Bélgica; em 2023, os Emirados importaram seis milhões de toneladas de areia, avaliadas em cerca de US$ 40,6 milhões.
Cinco casos de importação inusitada revelam como países compram o que parece abundante, mas nem sempre está disponível no momento certo. Do camelo australiano ao gelo islandês, as decisões refletem logística e economia.
Apesar de o deserto parecer suficiente, Camelos da Austrália chegam ao keeping Saudita para alimentação e belas apostas em corridas. A Austrália detém a maior população de camelos, impulsionando o fluxo comercial.
Abaixo, os casos detalhados seguem a ordem de relevância econômica e operacional, com dados sobre origem, destino e motivação.
1) Arábia Saudita importa camelos da Austrália
A demanda por camelos na Arábia Saudita aumentou por motivos de carne e competições de corrida. Historicamente dependentes do Norte da África, os sauditas passaram a importar animais da Austrália, onde a população é maior. A decisão visa diversificar fornecedores e reduzir riscos sanitários e climáticos.
Segundo especialistas, a importação ajuda a sustentar a indústria local associada a rituais, eventos esportivos e consumo de carne de camelo. O fluxo comercial entre os dois países cresceu conforme a logística e certificação sanitária se tornam mais robustas.
2) Nova Zelândia importa kiwis da Itália
Na Nova Zelândia, a demanda por kiwis excede a oferta sazonal interna, especialmente no verão do hemisfério sul. Desde 1998, a Itália é a principal fornecedora de kiwis para o país. O volume externo cobre parte do consumo anual, principalmente quando o fruto está fora de época.
Estudos apontam que cerca de 25% do kiwi consumido na Nova Zelândia é importado, com a Itália correspondendo à maior parcela. A dependência externa mostra a fragilidade de sazonalidade para o varejo local, mesmo com produção própria robusta.
3) Brasil importa castanha-do-pará da Bolívia
A castanha-do-pará é nativa da Amazônia e tem forte presença entre Brasil, Bolívia e Peru. A Bolívia figura como principal exportadora, enquanto o Brasil ocupa posição de importador relevante, especialmente para embalagens em indústrias nacionais.
A Bolívia desenvolveu uma cadeia de coleta eficiente, com envio de castanha sem casca para beneficiamento no Brasil. Entre 2010 e os dias atuais, exportações bolivianas para o Brasil variam entre US$ 1 milhão e US$ 2 milhões por ano.
4) Islândia importa gelo de Noruega, Reino Unido e EUA
A Islândia depende de importações para itens como gelo, petróleo e alguns vegetais. O gelo, usado na conservação de alimentos, costuma ser mais barato importar do que produzir localmente.
A logística local já é estruturada para atender demandas variadas, o que torna a importação de gelo economicamente viável. A estratégia aproveita rotas comerciais já consolidadas para reduzir custos de energia.
5) Emirados Árabes Unidos importam areia de Austrália, China e Bélgica
Os Emirados, assim como a Arábia Saudita, mantêm expansão imobiliária acelerada que demanda grande volume de areia com propriedades adequadas para construção. A areia do deserto não atende aos padrões de aderência do cimento, por isso importa-se areia de outros países.
A exportação de areia australiana, asiática e europeia atende a obras de grande escala. Em 2023, os Emirados importaram cerca de 6 milhões de toneladas de areia, avaliadas em aproximadamente US$ 40,6 milhões.
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