- Brasil espera importar até 7 milhões de toneladas de trigo em 2026, ligeiramente acima de 2025, com queda de área plantada e custos maiores devido à guerra no Irã e ao El Niño.
- Argentina, principal fornecedora, teve queda de exportações para o Brasil no primeiro quadrimestre de 2026, porém ainda pode atender parte da demanda; parte da safra 2025 tem qualidade inadequada para farinha de panificação.
- Moinhos brasileiros devem buscar mais trigo fora do Mercosul, possivelmente na Rússia ou nos Estados Unidos, diante da menor qualidade de parte do trigo argentino.
- Existe uma cota de 750 mil toneladas por ano de trigo fora do Mercosul com tarifa zero, ajuda a reduzir o impacto de custos mais altos.
- Paraná projeta queda de 13% na área plantada de trigo em 2026, em meio a custos elevados e incertezas climáticas associadas ao El Niño.
A equipe técnica do setor vê movimento de crescimento nas importações de trigo pelo Brasil em 2026, frente a 2025. A estimativa considera queda prevista de área plantada e custos mais altos devido ao conflito no Irã, além de incertezas com o El Niño para a safra brasileira.
Integrantes do setor indicam que o Brasil deverá buscar mais trigo fora do Mercosul, devido à qualidade inconsistente do cereal argentino colhido em 2025 para farinha de panificação. Rússia e Estados Unidos aparecem como opções alternativas.
A produção argentina tem mostrado limitações na qualidade do grão para panificação, o que pressiona o ritmo de compras brasileiro fora do país vizinho. A depender do peso dos lotes de baixa proteína, o mercado pode reagir com maior oferta de origem norte-americana e russa.
Panorama da demanda
Moinhos brasileiros projetam importação entre 1 e 1,5 milhão de toneladas de cereal além do Mercosul, para compensar a menor oferta interna. A expectativa é de que o total de 2026 fique entre 7 milhões e 8 milhões de toneladas.
Em 2025, o Brasil importou cerca de 6,87 milhões de toneladas, segundo dados oficiais. A projeção para 2026 sugere novo recorde, conforme análise de executivos do setor.
A Safras & Mercado aponta possibilidade de mais de 8 milhões de toneladas para o ano comercial 2026/27, caso as condições internacionais favoreçam alternativas ao trigo argentino. Os números refletem o peso das importações brasileiras entre os maiores do mundo.
Qualidade argentina e alternativas
Apesar de a Argentina ter feito safra recorde em 2024/25, parte do trigo não atende à qualidade necessária para farinha de panificação, afirma o presidente-executivo da Abitrigo. O cereal argentino ainda é visto como adequado para massas em boa parte da oferta.
Para compensar, as ações brasileiras devem mirar Estados Unidos e Rússia, especialmente quando a oferta argentina não satisfaz os padrões de proteína. O setor também conta com uma cota anual de 750 mil toneladas isenta de tarifa fora do Mercosul.
Desafios da safra brasileira
Analistas destacam que a colheita brasileira enfrenta custos altos com fertilizantes e combustíveis, ligados ao atual conflito geopolítico. O El Niño aumenta a incerteza climática e pode impactar a qualidade da moagem.
O Paraná, importante estado produtor, prevê queda de 13% no plantio de trigo em 2026, após recuo de 25% em 2025. Produtores sinalizam maior cautela para novos investimentos diante do cenário de custos elevados.
O conjunto de fatores aponta para uma provável elevação das importações em 2026, com o Brasil buscando manter o abastecimento de farinha de panificação enquanto equilibra custos e qualidade do cereal.
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