- A Brave Asset zerou a posição em Ambipar (AMPB3) em junho de 2025, antes da recuperação judicial anunciada em outubro do mesmo ano, devido a sinais de que o fluxo de caixa não atendia aos compromissos da empresa.
- A estratégia da gestora, conservadora em crédito privado, baseia-se em antever estresses no mercado a partir de indicadores de risco, para reduzir ou cortar exposições.
- Em crédito voltado ao agronegócio, a Brave investe cerca de R$ 700 milhões por meio de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) e Fundos de Investimento em Cadeias Agroindústrias (FIAGROs), comprando carteiras de recebíveis do setor.
- A abordagem permite renegociar prazos com devedores quando há atraso, com possibilidade de garantias como alienação fiduciária de terras, ampliando a flexibilidade de cobrança.
- Os Fundos Brave 30, Brave 90 e Brave 180 correspondem a grande parte do patrimônio líquido da gestora, com desempenho que não ficou abaixo do CDI desde a origem.
A Brave Asset, gestora independente com R$ 5,5 bilhões sob gestão, zerou a posição em Ambipar (AMBP3) em junho de 2025, quatro meses antes da empresa entrar em recuperação judicial. A decisão levou em conta fluxos de caixa futuros e juros de 15% que elevavam o custo da dívida.
Segundo os sócios Diego Coelho e Alexandre Zampar, a medida aponta sinais de alerta de estresse no crédito quando há necessidade de capex elevado e dívida recente. Zampar atua também como diretor de risco e compliance da Brave.
Em junho de 2025, Ambipar ganhou destaque após obter tutela cautelar na Justiça do Rio de Janeiro para se proteger de credores por 30 dias, estendíveis por mais 30, abrindo caminho para o pedido de recuperação judicial em outubro do mesmo ano.
A Brave também resgatou a posição em Hapvida (HAPV3) após o vencimento do papel em outubro de 2025, sem novas alocações diante dos desafios financeiros e operacionais da operadora de saúde. Resultados trimestrais fracos corroboraram o cenário.
No entanto, em junho de 2025, a Raízen (RAIZ4) chegou a ser cogitada para aportes da casa, mas o comitê de risco bloqueou a operação, evitando exposição à recuperação extrajudicial da joint venture entre Shell e Cosan, com dívidas não operacionais estimadas em cerca de R$ 65 bilhões.
Coelho ressalta que o compliance ganhou peso nas aprovações, com ênfase em governança e transparência da empresa diante de eventos de estresse de mercado. A Brave mantém análise rigorosa para decisões de crédito.
Os critérios de alocação de crédito privado da Brave incluem o agronegócio, com cerca de R$ 700 milhões em FIDCs e FIAGROs, comprando carteiras de recebíveis do setor para antecipar pagamentos. A estratégia evita dívidas de longo prazo, optando por crédito pulverizado.
Para Coelho, esse modelo permite análise aprofundada de cada devedor, histórico de pagamentos e medidas de cobrança em caso de inadimplência, como prazos estendidos e garantias, como alienação fiduciária de terras.
Desde a criação, em 2020, a Brave Asset mantém uma postura conservadora, buscando retornos consistentes e baixa volatilidade. Os fundos BRAVE 30, BRAVE 90 e BRAVE 180 representam boa parte do patrimônio líquido da gestora.
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