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Combustível supera cocaína e vira grande fonte de renda do crime organizado

Combustíveis lideram a receita do crime organizado, com mais de R$ 60 bilhões ao ano, e lavagem via fintechs e fundos de investimento

Receita gerada por fraudes em combustíveis fica atrás apenas de crimes digitais.
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  • O setor de combustíveis tem receita anual acima de R$ 60 bilhões, correspondendo a cerca de 40% da receita das facções criminosas.
  • O tráfico de cocaína representa aproximadamente 10% da receita do crime organizado brasileiro.
  • A soma de mercados explorados pelo crime alcança cerca de R$ 146,6 bilhões por ano, com combustíveis gerando cerca de R$ 61,5 bilhões e bebidas, ouro e tabaco igualmente relevantes.
  • A lavagem de dinheiro ocorre por meio de fintechs e fundos de investimento, com movimentação de bilhões e uso do centro financeiro da Faria Lima, em São Paulo.
  • Investigação aponta migração do crime para atividades com alta rentabilidade e menor repressão, exigindo separação entre operações legais e ilegais e maior coordenação entre órgãos públicos.

O combustível já figura entre as principais fontes de renda do crime organizado no Brasil, segundo dados do Atlas da Violência de 2026. A operação Fluxo Oculto, realizada nesta quinta-feira, mira o esquema bilionário de adulteração no setor e a lavagem de recursos pela Faria Lima, em São Paulo.

O estudo aponta que o setor de combustíveis rende mais de R$ 60 bilhões por ano, cerca de 40% da receita das facções. As informações consideram operações de lavagem por fintechs e fundos de investimento, além de infiltração em cadeias produtivas legais.

A investigação envolve o grupo Carbono Oculto e o Ministério Público de São Paulo. Segundo o Gaeco, as fintechs criam camadas de blindagem patrimonial e facilitam a redistribuição de valores entre contas suspeitas.

Estrutura e desdobramentos do crime

Os levantamentos indicam que houve reorganização após a primeira fase da operação anterior, com movimentação estimada de R$ 4 bilhões entre fintechs alvo e as investigadas na segunda fase. O centro financeiro de SP aparece como elo crucial.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o tráfico de cocaína gerou cerca de R$ 15 bilhões entre 2022 e 2023, pouco frente aos R$ 61,5 bilhões atribuídos ao setor de combustíveis. No total, atividades do crime organizado somam aproximadamente R$ 146 bilhões.

Mercado ilegal e impactos econômicos

Mercados de bebidas, ouro e tabaco também compõem o chamado “PIB do crime”, somando receitas médias anuais que variam conforme o setor. O contrabando de cigarros, por exemplo, representa parte relevante do faturamento, com prejuízos fiscais expressivos.

Especialistas apontam que a migração para atividades com menor repressão estatal exige cooperação entre áreas de segurança e fiscalização. Investigações nessa fronteira financeiro-operacional demandam maior integração entre órgãos públicos.

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