- Ministério Público de São Paulo e Receita Federal investigam um esquema de adulteração de combustível que envolve o PCC e movimentações próximas de R$ 26 bilhões.
- O mecanismo começa com desvio de nafta para misturar com gasolina tipo A e vender em postos, usando empresas de fachada.
- O dinheiro arrecadado nos postos seria lavado por meio de fintechs, com “contas-bolsão” que dificultam o rastreamento.
- Entre as fintechs citadas estão BK Bank, Ceopag, Sispay, Vpay, Yaw e Smart Solutions Group, com falhas de compliance identificadas.
- O dinheiro ainda seguia para fundos de investimento em direitos creditórios, usados como última etapa para ocultar beneficiários, com operações frequentemente de um dia.
O Ministério Público de São Paulo e a Receita Federal avançaram em nova fase da Operação Carbono Oculto, na quinta-feira (28). O foco é um esquema no setor de combustíveis que envolve adulteração, empresas de fachada, fintechs e fundos de investimento, com indicativos de movimentação de quase R$ 26 bilhões.
Segundo a investigação, o caminho começa com a venda de nafta para uso industrial, com benefício fiscal, e segue até um sistema de lavagem de dinheiro operado por fintechs e empresas fantasmas. O objetivo seria ocultar recursos de organizações criminosas, incluindo o PCC, conforme apurado pelos investigadores.
A estratégia envolve empresas de papel que simulavam venda de nafta para indústrias químicas. Esses registros falsos viram notas fiscais frias, criadas em endereços fictícios e por pessoas ligadas a laranjas. Os caminhões chegavam a desviar o combustível para terminais e distribuidores.
Após a adulteração, a gasolina Tipo A era misturada com a nafta em pontos de distribuição e, em seguida, revendida a postos. O dinheiro arrecadado nos postos era transferido para contas controladas por fintechs, configurando um mecanismo de “contas-bolsão”.
A partir dessa centralização, bancos viam apenas a fintech como titular, dificultando a identificação dos reais depositantes. Contas gráficas na fintech ocultavam CNPJ e CPF, criando um freio para o rastreamento por órgãos como BC e Coaf, segundo o MP.
Entre as fintechs citadas estão BK Bank, Ceopag, Sispay, Vpay, Yaw e Smart Solutions Group. As autoridades apontam falhas de compliance e de verificação de identidade, com relatos de flexibilização de controles para ampliar a carteira de clientes.
Uma das fintechs investigadas movimentou mais de R$ 1 bilhão em dinheiro vivo, conforme dados da Receita Federal. No total, os relatórios indicam movimentações suspeitas de quase R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025.
A etapa final envolve Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, usados para retornar o dinheiro ao formato considerado “limpo”. Empresas fantasmas emitiam boletos fictícios pagos pelos fundos, com cessões sem desconto e prazos de apenas um dia.
Segundo o MP, as operações tinham características atípicas para o mercado tradicional, incluindo fundos com poucos cotistas e transações simuladas. Mesmo assim, o grupo continuou atuando, abrindo novas empresas de fachada e ampliando o uso de fintechs para ocultar patrimônio.
O resultado esperado pelo MP é desmantelar o fluxo de recursos, desde a adulteração de combustível até o retorno de recursos como se fossem operações regulares, com foco na responsabilização dos envolvidos. O Ministério e a Receita mantêm o monitoramento das apurações.
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