- O PIB do Brasil cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026, ficando entre as maiores altas globais no período.
- O resultado foi impulsionado pelo consumo das famílias, sustentado por transferências, aumento do salário mínimo e desconto maior do imposto de renda, aliado a crédito ainda firme.
- A economista Rafaela Vitória afirma que esse dinamismo não é sustentável ao longo do ano; estima que o PIB deve crescer menos em 2026 em relação a 2025.
- A taxa de investimento ficou em 16,5%, abaixo do que seria necessário para acompanhar o crescimento da demanda, segundo especialistas.
- No setor industrial, a indústria extrativa tende a sofrer menos com juros elevados, enquanto a indústria de transformação deve sentir mais o aperto monetário e a desaceleração do crédito.
A economia brasileira cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026, segundo dados do IBGE. O desempenho coloca o país entre as maiores altas globais do período. A avaliação é da economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, em entrevista ao CNN Prime Time.
Rafaela Vitória afirma que o impulso veio de uma combinação de fatores, especialmente estímulos à renda, como transferências, aumento do salário mínimo e maior desconto do imposto de renda, aliados a um crédito ainda forte. O tom é de cautela sobre a sustentabilidade desse ritmo.
O resultado surpreendeu durante um cenário de juros elevados e sem sinal claro de alívio rápido, gerando dúvidas sobre a continuidade do puxador de consumo. A taxa de investimento ficou em 16,5%, abaixo do que seria necessário para acompanhar a demanda.
Desempenho setorial e impactos do crédito
A economista aponta diferenças entre indústria de transformação e indústria extrativa. A extrativa, voltada para exportação, tende a ser menos sensível ao crédito doméstico e se beneficia da demanda global por commodities. Já a transformação depende fortemente de crédito para produção e consumo de bens duráveis.
A projeção é de desaceleração do crédito nos próximos meses e de uma redução da Selic em ritmo mais moderado, mantendo o juro em patamar restritivo por mais tempo. Isso deve impactar a indústria de transformação, com efeitos sobre o ritmo de investimento.
Perspectivas fiscais e inflação
Rafaela Vitória destaca que o excesso de estímulos fiscais preocupa o cenário, com subsídios, transferências e crédito sustentando a demanda e pressionando a inflação, especialmente a de serviços. O Banco Central pode precisar manter uma pausa no ciclo de cortes de juros se a demanda permanecer aquecida.
Ela reforça que estimular o consumo sem capacidade de oferta resulta em inflação adicional, o que é um desafio para a política monetária. A observação é de que a relação entre oferta e demanda deve se alinhar para evitar pressões inflacionárias persistentes.
Brasil no cenário internacional
Entre os países que divulgaram resultados do trimestre, o Brasil fica atrás apenas da Coreia do Sul e da China, superando Finlândia, Hungria, Suíça, Reino Unido e Espanha. O desempenho ocorre em meio a juros de dois dígitos, uma singularidade brasileira entre os grandes bancos centrais.
A analista Lucinda Pinto aponta que o agronegócio volta a ser motor relevante, com o consumo das famílias crescendo 1% no trimestre e contribuindo para o ritmo do PIB. O consumo do governo registrou alta de 0,4% no período.
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