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Maio: as 10 maiores altas do Ibovespa

Maio traz alta mais difusa no Ibovespa, com Usiminas no topo após resultado forte; Braskem e Ambev sobem e CSN encara peso da dívida

Campeão — Foto: Getty Image
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  • Usiminas (USIM5) liderou em maio, alta de 31,72% (de R$ 8,29 para R$ 10,92), com resultados do primeiro trimestre impulsionando o movimento, beneficiada por medidas do governo contra importação de aço.
  • Braskem (BRKM5) ficou em segundo lugar, alta de 13,33% (de R$ 9,74 para R$ 10,37), com lucro líquido de R$ 1,440 bilhão no trimestre e leitura variando entre analistas.
  • Ambev (ABEV3) subiu 13,09% (para R$ 16,41), sustentada por volumes de cerveja no Brasil em nível recorde para o período e melhoria de margens.
  • Lojas Renner (LREN3) avançou 10,74% (a R$ 12,50), com margem bruta de varejo de 56,7% no trimestre e aumento modesto de vendas iguais.
  • CSN (CSNA3) teve alta de 8,35%, mas acumula queda de 24% no ano; endividamento elevado pode levar a venda de ativos, como a divisão de cimento.

A força da siderurgia e da metalurgia manteve Usiminas no topo do Ibovespa em maio, mas o conjunto do índice ficou mais diversificado diante da divulgação dos resultados do 1T26. O mês trouxe ganhos em bebidas, varejo e petroquímica, diluindo o peso de apenas um setor. Mesmo assim, o Ibovespa fechou o mês em queda, com as maiores quedas concentradas em ações de energia elétrica.

O Ibovespa encerrou maio em baixa, mas a alta acumulada no ano ainda supera a inflação. O índice mostrou acomodação diante de resultados trimestrais que surpreenderam positivamente em diversos setores, refletindo um ambiente de recuperação moderada da economia brasileira.

Usiminas

Usiminas (USIM5) liderou o mês com alta de 31,72%, indo de R$ 8,29 para R$ 10,92. O ganho acumulado no ano chegou próximo de 80%. Segundo Flávio Conde, da Levante Investimentos, a reação ocorreu após a virada de visão dos analistas, com o setor siderúrgico se beneficiando de custos menores e maior receita por tonelada.

O resultado do 1T26 mostrou lucro líquido de R$ 896 milhões, alta de 166% anual. A receita líquida somou R$ 5,870 bilhões, com a division de siderurgia puxando o lucro operacional ajustado a R$ 544 milhões. Medidas de Brasil contra importação de aço a preços baixos ajudam o setor.

Analistas revisaram as estimativas, com alvos entre R$ 11 e R$ 14 para as ações. A restrição de importação de aço estrangeiro, em vigor desde janeiro, permitiu repassar custos aos preços finais e elevar margens, beneficiando Usiminas e o setor.

Braskem

Braskem (BRKM5) ficou em segundo lugar, com alta de 13,33% (de R$ 9,74 para R$ 10,37). O lucro líquido do 1T26 somou R$ 1,440 bilhão, ante prejuízo no 4T25 e lucro de R$ 698 milhões no 1T25. O mercado viu a combinação de alta margem e melhora de ganhos como positivo para a ação.

Um banco internacional elevou a recomendação de compra, citando menor disponibilidade de petroquímicos no cenário geopolítico. Contudo, Flávio Conde alerta sobre a alavancagem da Braskem: dívida total subiu para R$ 16,8 bilhões e o dólar influencia fortemente o resultado.

Conde aponta que o resultado operacional recorrente ficou 24% abaixo do 1T de 2025. A dívida elevada e a volatilidade cambial podem restringir a confiança de investidores mais conservadores, mantendo a cautela sobre a compra.

Ambev

Ambev (ABEV3) ficou em terceiro lugar, com alta de 13,09% e fechamento em R$ 16,41. O 1T26 mostrou volumes recordes de cerveja no Brasil, com preços médios 8% acima do mesmo período de 2025. Esse impulso ajudou a manter o desempenho da empresa.

Cervejas premium e super-premium tiveram crescimento de volumes próximos a 20%, compensando as quedas nas marcas de maior volume. O lucro operacional ajustado ficou 5% acima do esperado pelos analistas. No exterior, houve frustrações em Argentina e Canadá.

Analistas do Santander mantêm recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 14,20. Expectativas apontam para impactos positivos com a temporada esportiva, feriados de 2026 e desaceleração de custos.

Lojas Renner

Lojas Renner (LREN3) ficou em quarto, com alta de 10,74%, fechando em R$ 34,30. A margem bruta do varejo atingiu 56,7% no 1T26, a maior para esse período, com melhoria de 1,6 p.p. frente ao 1T25. Vendas em mesmas lojas cresceram 3,2%.

A melhoria da composição das vendas, com menos descontos e maior participação de itens vendidos a preço cheio, compensou o menor volume. A divisão de crédito Realize surpreendeu ao gerar resultado operacional 47% acima do esperado.

Itaú BBA mantém recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 16,00, destacando que o segundo trimestre deve testar a base de comparação mais difícil e o desempenho precisar de confirmação.

CSN

CSN (CSNA3) registrou alta de 8,35% em maio, mas acumula queda de 24% no ano. O peso das dívidas e o fluxo de caixa pressionam a empresa, limitando o apetite de investidores.

Analistas do Itaú BBA estimam relação dívida líquida sobre lucro operacional ajustado em 2026 em 3,9 vezes, superior a 3,5 vezes de 4T25. A recomendação permanece neutra, com preço-alvo de cerca de R$ 7,50.

Venda de ativos, especialmente da divisão de cimento, é apontada como potencial caminho para reduzir endividamento e melhorar a liquidez em vencimentos até 2028.

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