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Medida de inflação preferida pelo novo presidente do Fed esfria

Medida de inflação favorita do novo chair do Fed recua; distorção metodológica do Fed de Dallas levanta dúvidas sobre o sinal de desinflação

Novo chair do Federal Reserve, Kevin Warsh
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  • A medida de inflação preferida do Fed de Dallas caiu para 2,3% em abril, ante 2,4% em março.
  • Economistas do próprio banco central alertam que esse indicador pode subestimar a inflação subjacente por distorção metodológica provocada por tarifas.
  • A metodologia atual corta 31% dos itens com maior variação de preço e 24% com menor variação, o que, em cenário de tarifas, tende a puxar o indicador para baixo.
  • O núcleo do índice de preços das despesas de consumo pessoal (PCE), que exclui energia e alimentação, subiu 3,3% nos 12 meses até abril, sinalizando inflação mais alta.
  • Analistas externos, como do Standard Chartered, questionam a eficácia da média aparada para prever inflação futura e ressaltam que Warsh tem defendido a leitura, apesar das dúvidas.

O indicador de inflação favorito do novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, voltou a sinalizar arrefecimento na quinta-feira, 28, enquanto debates sobre a robustez da inflação ganham contornos políticos e técnicos. O dado aponta para uma leitura mais baixa, alinhando-se à visão de Warsh de que a inflação estaria diminuindo, ainda que haja ceticismo entre outros formuladores de políticas sobre a necessidade de elevar a taxa de juros.

O indicador em questão é a média aparada da inflação medida pelo Fed de Dallas, considerado entre as referências de Warsh durante sua audiência de confirmação. Em abril, esse índice anual ficou em 2,3%, ante 2,4% em março, segundo dados divulgados pelo banco central na semana passada. Responsáveis pela metodologia destacam que o índice pode subestimar a inflação subjacente em determinadas condições.

Especialistas do próprio Fed, como o economista Tyler Atkinson, ressaltam cautela na interpretação dos números. Em entrevista prévia à divulgação, Atkinson explicou que a média aparada tende a filtrar ruídos de componentes voláteis, como gasolina, passagens aéreas e joias, ao mesmo tempo em que reduz itens com preços em alta mais acelerada. No entanto, distorções externas recentes, incluindo tarifas, podem inverter esse efeito.

Enquanto a média aparada aponta para menor pressão inflacionária, o núcleo da despesa de consumo pessoal (PCE), que exclui energia e alimentos, subiu 3,3% nos 12 meses até abril, dados do Bureau de Análise Econômica mostram. A leitura é a mais alta desde 2023, e autoridades do Fed sinalizam preocupação com a trajetória de preços. A diretora Lisa Cook afirmou que esse movimento segue na direção errada, em termos de inflação subjacente.

Warsh indicou, durante a audiência, que prefere interpretar sinais por meio de médias aparadas e sustentou a expectativa de que a inflação tenha melhorado no ano anterior. Analistas externos, porém, permanecem céticos quanto à eficácia dessa leitura como indicador confiável para prever o comportamento futuro da inflação. O Standard Chartered alertou que a média pode não refletir com precisão a tendência, e que o núcleo do PCE costuma oferecer melhores previsões.

O Fed de Dallas informa que não planeja alterar a metodologia da média aparada. Se as pressões tarifárias diminuírem como esperado, o ajuste pode ocorrer de maneira gradual ao longo dos próximos meses. Enquanto isso, investidores e analistas prestam maior atenção a outros indicadores de inflação subjacente para avaliar a necessidade de política monetária.

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