- Em 2026, 17,6% dos membros de conselhos de administração no Brasil recebem mais de R$ 541 mil por ano, e 38% desses atuam em mais de quatro colegiados.
- Entre os conselheiros consultivos, apenas 3,1% recebem acima de meio milhão anual por conselho.
- O levantamento da Exec, para o Estadão, ouviu 352 respondentes entre março e abril de 2026, de empresas de diferentes portes e setores.
- Perfil dos mais bem remunerados: 80% são homens, a maioria tem entre 55 e 75 anos, 93,4% já foram CEOs, quase 60% têm mais de 10 anos de experiência e metade foi indicada sem processo de seleção via headhunter.
- Formação em governança é alta (92%), com 24% com certificação fora do Brasil; há preocupação com pouca diversidade e com seleção por networking, além de risco de overboarding.
Os conselhos de administração no Brasil pagam mais de meio milhão de reais por ano a 17,6% dos seus integrantes, segundo estudo da Exec para o Estadão. Entre esses profissionais de alta remuneração, 38% atuam em mais de quatro colegiados, o que eleva os ganhos. Já para conselheiros consultivos, apenas 3,1% recebem acima desse patamar.
A pesquisa, realizada com 352 respondentes entre março e abril de 2026, abrange empresas de capital aberto e fechado de diferentes portes e setores em todo o país. Os dados mostram que, mesmo entre quem recebe menos, a remuneração média por conselho tende a ser atrativa.
A maior parte dos profissionais com alta remuneração tem formação específica para a função e experiência relevante no setor. Oito em cada dez possuem cursos ligados à governança e finanças. Além disso, 75% já ocuparam a presidência de conselhos, reforçando o perfil de liderança.
A experiência em alto escalão aparece como pré-requisito importante: 93,4% já foram ou são CEOs. Cerca de 60% têm mais de 10 anos de atuação no mercado, e metade recebeu indicação para a vaga sem passarem por processo seletivo com headhunter.
No recorte de diversidade, o perfil é majoritariamente masculino (80%) e da geração baby boomer, com idades entre 55 e 75 anos. Apenas 6,7% se identificam como pretos ou pardos e 0,4% são pessoas com deficiência. Esses números indicam pouco avanço de diversidade entre os cargos analisados.
A diretora executiva de soluções para conselhos da Exec, Thais Nather, aponta que a remuneração elevada resulta da convergência de fatores técnicos, experiência setorial e alinhamento com o plano estratégico da empresa. Habilidades comportamentais, como capacidade de escuta e visão de longo prazo, também aparecem como diferenciais.
Mesmo entre os salários menores, a remuneração permanece atrativa: a maioria dos conselheiros de administração recebe até R$ 240 mil por ano por conselho, enquanto nas funções consultivas a fatia fica em até R$ 120 mil ao ano.
O estudo destaca um alto nível de profissionalização: 92% possuem algum curso de governança, 24% fizeram certificação no tema fora do Brasil e 60% possuem mais de dois cursos. A busca por certificação tem ganhado impulso, com aumento de abertura para escolas internacionais.
Entre os pontos de atenção, a pesquisa aponta baixa diversidade e processos seletivos pouco profissionais. Embora 82% dos entrevistados afirmem ter conselheiros independentes, a seleção por networking predomina, elevando o risco de repetição de perfis. A independência do conselho e a diversificação de fontes de indicação são citadas como medidas importantes.
Outro tema relevante é o overboarding, ou atuação em múltiplos conselhos. Apenas um terço dos entrevistados atua em um ou dois conselhos; a maioria participa de mais cadeiras, o que pode comprometer a dedicação ao cargo. A executiva recomenda uma seleção estruturada, similar à contratação de cargos de alta liderança.
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