Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Programa de compliance perfeito falha na prática

Compliance perfeito falha ao priorizar regras; cultura corporativa e tom no meio definem ética, exigindo redesenho dos ambientes de decisão

Programas de compliance falham porque partem de uma premissa equivocada de que as pessoas transgridem apenas por desconhecimento das regras ou cálculo racional de custo-benefício, diz o articulista
0:00
Carregando...
0:00
  • O artigo sustenta que programas de compliance falham ao partir da premissa de transgressões por desconhecimento das regras, usando estudos de Eugene Soltes com executivos condenados para mostrar que a intuição e o ambiente ditam decisões éticas.
  • Uma pesquisa nacional de 2026, realizada pela Be.Aliant e Protiviti Brasil, indica que quase todas as grandes empresas têm códigos e canais de denúncia, but apenas 36% realizam auditorias periódicas e metade não usa indicadores para medir efetividade.
  • As causas apontadas vão além de recursos e independência do compliance officer; o desafio principal é o desenho do dia a dia das decisões, onde ocorrências mínimas podem abrir margem para transgressões maiores.
  • Normas internacionais já sinalizam mudança de foco: ISO 37001, em 2025, enfatiza cultura antissuborno; nos EUA, o DOJ destacou a importância do tom no meio (tone in the middle); pesquisas da LRN mostram maior valorização de valores que de regras.
  • O caminho sugerido para o Brasil envolve quatro movimentos: medir clima ético e segurança psicológica; apostar em intervenções contínuas; fortalecer a atuação da gerência intermediária; alinhar cultura ética a incentivos reais.

O programa de compliance ideal não funciona como esperado. Pesquisas e debates atuais apontam que modelos baseados apenas em regras enfrentam limites claros.

Especialistas afirmam que o criminoso de colarinho branco não age apenas por desconhecimento ou ganho financeiro. A decisão costuma vir de intuição, hábito e leitura do ambiente em que opera.

Eugene Soltes, da Harvard Business School, passou sete anos entrevistando executivos condenados por fraude. A conclusão é que muitos programas no Brasil vão contra o comportamento real.

A 3ª Pesquisa Nacional sobre Necessidades e Tendências do Compliance, publicada pela Be.Aliant e Protiviti Brasil, mostra que códigos e canais existem, mas apenas 36% auditam periodicamente. Metade não usa indicadores de efetividade.

O diagnóstico aponta falhas estruturais: falta de recursos, independência limitada do compliance officer e pouco apoio do conselho. Mas o problema principal está na premissa sobre o comportamento humano.

Caminhos da mudança

Em 2015, estudos mostraram o chamado slippery slope ético: pequenas infrações, se toleradas, reduzem a sensibilidade a desvios maiores. O desengajamento moral explica por que pessoas honestas cometem atos cada vez mais desonestos.

Para o compliance corporativo, não basta informar o que é proibido. É preciso impedir a primeira concessão, mesmo que pequena, de se tornar padrão. Soltes reforça a ideia de que o desafio está no dia a dia, no que se decide em segundos.

Pesquisas brasileiras indicam que a fraude ocorreu dentro de estruturas de compliance robustas. Códigos, comitês e auditorias não impediram desvios, que emergiram por vazamentos, delações ou investigações externas.

Alcance regulatório e cultura organizacional

A norma internacional evoluiu. A ISO 37001 de 2025 introduziu a cultura antissuborno como elemento central, fortalecendo a responsabilidade dos diretores. Nos EUA, houve movimento parecido ao priorizar a ética na média gerência.

No Brasil, o selo Pró-Ética ampliou critérios para incluir direitos humanos, responsabilidade socioambiental e diversidade. A CGU alinha-se à OCDE, ONU e UE, reforçando a avaliação da cultura corporativa.

Mesmo diante desse avanço, muitos programas não acompanham o ritmo regulatório. Doze anos de lei anticorrupção consolidaram infraestrutra jurídica, mas faltam ambientes de decisão mais bem redesenhados.

Quatro movimentos para redesenho

  • Mudar o objeto de medição: medir clima ético e segurança psicológica, não apenas treinamentos e canais abertos.
  • Trocar episodicidade por continuidade: intervenções curtas e frequentes têm maior efeito do que treinamentos anuais.
  • Valorizar o tone in the middle: a gerência intermediária é crucial para a cultura, mas costuma ficar à parte.
  • Vincular cultura ética a incentivos reais: sem filtros sobre como metas são atingidas, o programa perde eficácia.

A literatura recente classifica esse approach como compliance comportamental. O foco é criar ambientes que não propiciem desvios, mesmo sob pressão.

A conclusão prática é que programas que tratam compliance como mera obrigação regulatória tendem a permanecer apenas como documentação. Aqueles que investem em cultura ética podem reduzir a ocorrência de escândalos.

As autoridades e o mercado sinalizam alinhamento entre normas e prática. O desafio é transformar a teoria em rotinas que orientem decisões reais, no dia a dia corporativo.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais