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O que divide os presidenciáveis na economia

Direitas disputam o tamanho do Estado: privatizações amplas e desregulamentação convivem com setores estratégicos e nacionalismo econômico

Direita converge na agenda liberal de redução do Estado, com propostas distintas. (Foto: Ilustração Gazeta do Povo - com DALL-e)
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  • A eleição de 2026 confirma o liberalismo econômico como idioma comum da direita brasileira, com consenso sobre responsabilidade fiscal, ambiente pró-mercado e menor intervenção estatal, mas com diferenças sobre até onde o Estado deve recuar.
  • Principais presidenciáveis apresentam agendas distintas: Flávio Bolsonaro aposta em liberalismo pragmático e ajuste fiscal sem ruptura; Romeu Zema defende privatizações amplas e redução permanente do Estado; Ronaldo Caiado propõe austeridade com atuação estatal em setores estratégicos; Renan Santos mescla liberalismo fiscal com nacionalismo tecnológico e foco em indústria.
  • O debate inclui privatizações, privatizações de estatais consideradas estratégicas, reformas estruturais, desregulamentação e uso estratégico de políticas públicas para estimular o crescimento.
  • Institutos e think tanks liberais trabalham para tornar o apoio ao livre mercado um ativo político, com planos de medir compromissos dos candidatos e promover plataformas de liberdade econômica.
  • Persistem resquícios de visões estatistas dentro da direita, principalmente influências nacional-desenvolvimentistas e de setores militares, o que dificulta uma linha única pró-mercado.

A eleição presidencial de 2026 sinaliza uma guinada da direita brasileira ao liberalismo econômico. Embora não haja um consenso total, o direitismo emergente compartilha defesa de responsabilidade fiscal, ambiente pró-mercado e menor intervenção estatal. O que muda é a intensidade do recuo do Estado.

Diversas correntes coexistem dentro dessa agenda: privatizações amplas, desestatizações graduais, políticas industriais e até planejamento em setores considerados estratégicos. A narrativa comum é a de que o liberalismo é hoje a linguagem dominante, mas as trajetórias variam.

A consolidação desse campo ocorre em meio a think tanks, movimentos liberais e uma agenda que tenta traduzir o que significa governar com menos Estado sem abandonar instrumentos de proteção social. A adesão ao mercado, porém, não apaga tensões entre setores estatistas e liberais.

Flávio Bolsonaro: liberalismo pragmático e ajuste fiscal sem ruptura

O senador Flávio Bolsonaro busca ocupar o espaço deixado por Paulo Guedes, com um tom mais pragmático. Reúne-se com economistas ligados ao governo anterior e apresentou o núcleo do que chama de Projeto Brasil.

A proposta aponta para uma nova âncora fiscal baseada na dívida pública em relação ao PIB. A visão é reduzir a dívida sem comprometer programas sociais já existentes. Privatizações e concessões aparecem como ferramentas de eficiência.

Desregulamentação, desburocratização e maior velocidade de licenciamentos aparecem entre as medidas, sobretudo em mineração, infraestrutura e exploração de recursos naturais. A digitalização da máquina pública está entre as prioridades.

O plano sustenta conservar programas sociais mediante ajuste fiscal. Também prevê mudanças na Previdência, com desvinculação de reajustes do salário mínimo e ajustes apenas inflacionários em certos itens.

Romeu Zema: o programa mais liberal e privatista da direita

O governador Romeu Zema, filiado ao Partido Novo, defende uma reorganização profunda do Estado. O foco é cortar gastos, privatizar amplamente e reduzir a presença estatal na economia.

Zema propõe uma reforma previdenciária permanente, com ajuste automático da idade conforme a expectativa de vida. O orçamento passaria por desengessamento de gastos e flexibilização de limites obrigatórios.

A privatização de estatais, inclusive aquelas consideradas estratégicas, figura entre as propostas. O governo também prevê ampliar PPPs em saúde e educação para ampliar serviços públicos por meio de parcerias.

A ideia é mapear ativos ociosos e vendê-los para financiar investimentos e reduzir despesas. O discurso busca inverter a lógica: metas de corte de impostos podem exigir redução de despesas.

Ronaldo Caiado: austeridade fiscal com Estado forte em setores estratégicos

Ronaldo Caiado adota posição pragmática, defendendo responsabilidade fiscal aliada a um Estado com participação estratégica em áreas-chave. O plano é coordenado pelo ex-ministro Roberto Brant.

Dívida pública é tratada como principal ameaça econômica, com metas de equilíbrio fiscal em todo o país. O candidato critica gastos sem lastro e defende mais previsibilidade institucional.

Investimentos em infraestrutura são parte do projeto para elevar a competitividade, especialmente em agronegócio e logística. Estudos sobre minerais estratégicos e tecnologia também aparecem na pauta.

Programas sociais visam emancipação econômica, com foco em transformar benefícios em mecanismos de inclusão produtiva. A gestão envolve planejamento e coordenação pública mais eficaz.

Renan Santos: choque liberal com nacionalismo tecnológico

Renan Santos propõe uma combinação incomum de liberalismo fiscal com forte componente de nacionalismo tecnológico. Cofundador do MBL, ele integra o Missão.

A proposta prevê um ajuste fiscal amplo e uma reforma estrutural rápida, com o objetivo de reduzir juros e impostos. Autonomia do Banco Central é defendida, sem abrir mão de responsabilidade fiscal.

O programa inclui flexibilização da CLT e uma Lei de Responsibility Gerencial para premiar administrações públicas eficientes. A reindustrialização envolve cadeias nacionais de terras raras e semicondutores.

Renan defende manter Petrobras como ativo estratégico, ao contrário de privatizações generalizadas. Privatizações ocorrem em outros setores, como correios, com foco em eficiência.

O Nordeste seria transformado em polo de energia e tecnologia, atraindo data centers. O plano também condiciona o Bolsa Família a oportunidades de trabalho para beneficiários aptos.

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