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Reciclagem avança, mas enfrenta tributação e baixa reciclabilidade

ESG Summit destaca avanços da reciclagem no Brasil, mas aponta entraves tributários, baixa reciclabilidade de embalagens e condições de trabalho dos catadores

O protagonismo dos catadores ganhou destaque no debate (Eduardo Frazão/Exame)
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  • O Brasil produziu mais de 81 milhões de toneladas de resíduos sólidos em 2025, e cerca de 40% tiveram destinação inadequada, indo para aterros ou lixões a céu aberto, conforme a Abrema, com a taxa de reciclagem em 4,5%.
  • O tema foi discutido no ESG Summit 2026, em São Paulo, com a participação de Rodrigo Oliveira, CEO da Green Mining, e Roberto Rocha, presidente da Ancat.
  • Entre os obstáculos citados estão falta de infraestrutura, baixa reciclabilidade de parte das embalagens, questões tributárias, condições de trabalho dos catadores e a necessidade de educação ambiental.
  • Os participantes apontaram que a escassez de investimentos e o cumprimento das regras de logística reversa dificultam a reciclagem, defendendo maior simplificação do design das embalagens para facilitar a recuperação de materiais.
  • O protagonismo dos catadores foi destacado, respondendo por mais de 90% dos itens reciclados; é preciso ampliar cooperativas, fortalecer remuneração e ampliar a coleta seletiva para mais municípios.

O ESG Summit 2026, promovido pela EXAME, ocorreu nesta quinta-feira, 28, em São Paulo. O tema foi a transformação de resíduos em valor econômico e o fortalecimento da circularidade, com foco em avanços e entraves da reciclagem no Brasil. Dados recentes indicam que o país produziu mais de 81 milhões de toneladas de resíduos em 2025, dos quais cerca de 40% tiveram destinação inadequada. A taxa de reciclagem ficou em 4,5%.

Especialistas destacaram que a diferença entre geração de resíduos e capacidade de reaproveitamento continua sendo o principal desafio da agenda ambiental. Entre os entraves apontados estão infraestrutura insuficiente, baixa reciclabilidade de embalagens, questões tributárias e condições de trabalho dos catadores.

Protagonismo dos catadores

O debate rebateu o papel central dos catadores, responsáveis por mais de 90% dos itens reciclados no país. A atuação deles está no centro da cadeia, mas ainda enfrenta remuneração, reconhecimento profissional e condições de trabalho precárias. A necessidade de fortalecer arranjos entre cooperativas, empresas e poder público foi destacada.

Foi questionada ainda a definição do que deve ser tratado como rejeito antes de soluções como incineração. A ideia é evitar que itens com valor econômico sejam descartados sem avaliação adequada. Investir em cooperativas e ampliar a presença em municípios é apontado como caminho estratégico.

Desafios e soluções para embalagens

A discussão avançou para o papel das embalagens no processo de reciclagem. As escolhas de design, cores e materiais impactam a recuperação do produto. Simplificação e criteriamento de reciclabilidade desde o desenvolvimento de embalagem foram sugeridos como medidas para facilitar a separação após o consumo.

O painel também abordou o avanço da logística reversa, com a necessidade de condições que assegurem o cumprimento das regras por todos os agentes. Em termos de conjuntura, cooperativas estariam presentes em cerca de 30% dos municípios brasileiros, enquanto o universo de catadores autônomos varia entre 800 mil e 1,2 milhão.

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