- O especialista Vinícius Mastrorosa alerta que o crédito imobiliário brasileiro pode ficar mais caro nos próximos anos, afetando quem financiar imóveis na planta.
- A carteira de crédito imobiliário dos bancos já supera o volume de recursos disponíveis na poupança, que ficou estagnada desde 2021, enquanto o crédito continua crescendo.
- Sem o dinheiro da poupança, os bancos recorrem a fontes mais caras, com custos próximos do CDI/Selic e acrescidos do spread de captação.
- A tendência é que o financiamento imobiliário passe a acompanhar juros de mercado, em vez de subsídios, elevando o custo para longos prazos.
- Quem comprou imóveis na planta pode enfrentar condições de crédito diferentes na entrega das chaves, impactando o custo total do financiamento ao longo de anos.
O alerta vem do mercado de credito imobiliário: pode haver aumento significativo no custo do financiamento nos próximos anos. Quem aponta a tendência é Vinícius Mastrorosa, sócio da Nova Milano Investimentos, em participação no podcast Market Makers.
Mastrorosa ressalta que a mudança é estrutural. A carteira de crédito imobiliário já supera a poupança disponível para financiar o setor, alterando a lógica de funding dos bancos no Brasil.
O episódio evidencia que o financiamento de 20 a 30 anos pode ficar mais caro, principalmente quando o dinheiro deixa de depender da poupança. O custo de captação passa a depender de CDI, Selic e spreads bancários.
Contexto financeiro
A poupança brasileira cresceu de cerca de 166 bilhões de reais em 2006 para mais de 1 trilhão em 2021, mas estagnou desde então. Enquanto isso, o crédito imobiliário continuou a crescer, exigindo fontes externas de financiamento.
Essa mudança altera o equilíbrio de custos entre juros subsidiados do passado e juros de mercado atuais. O resultado pode impactar contratos de imóveis na planta em fases de entrega futuras.
Risco para compradores
Muitas pessoas que compraram imóveis na planta contam com financiamento na entrega das chaves, daqui a dois ou três anos. Se as condições de crédito mudarem, o custo total ao longo do financiamento pode ser maior do que o esperado. Isso envolve potenciais ajustes no orçamento familiar.
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