- Ao longo de maio e junho, a aviação brasileira teve pelo menos 6.271 voos cancelados (3.596 em maio e 2.675 em junho), segundo a ANAC.
- O preço do querosene de aviação subiu 98,4% em menos de três meses, de R$ 3,35 por litro em fevereiro para R$ 6,65 em maio; a Petrobras anunciou queda de 14,2% no combustível nesta segunda-feira.
- Gol foi a companhia com maior corte, removendo 3.041 voos (1.840 em maio e 1.201 em junho); Azul, 2.216 (1.243 em maio e 973 em junho); Latam, 1.035 (498 em maio e 537 em junho).
- Em maio, São Paulo perdeu 844 voos e o Rio de Janeiro, 514; Pernambuco foi o estado mais afetado em maio, com retração de 12,8%.
- O custo adicional com o QAV, apenas entre abril e maio, atingiu R$ 1,84 bilhão; o governo informou linha de crédito emergencial de até R$ 1 bilhão para manter operações e pagamento de combustível.
O Brasil registrou queda expressiva na malha aérea nacional devido à alta do querosene de aviação causada por conflitos no Oriente Médio. Ao todo, mais de 6,2 mil voos foram canceled em maio e junho, segundo levantamento da Anac. A crise afeta empresas, passageiros e operações.
Em maio, foram cortados 3.596 voos; em junho, 2.675. No total, 6.271 operações deixaram de existir. O combustível representa cerca de 45% dos custos operacionais, o que leva as companhias a reduzir rotas menos rentáveis quando o preço sobe abruptamente.
Pernambuco aparece como o estado mais impactado, com quedas de 12,8% em maio e 11,6% em junho. Bahia caiu 10,1% em maio; Goiás 9,6%; Espírito Santo 9%; e Rio de Janeiro teve queda de 514 voos apenas em maio. Em números absolutos, São Paulo registrou 844 voos cortados em maio.
A Gol liderou as reduções, com 1.840 voos a menos em maio e 1.201 em junho, totalizando 3.041. A Azul foi segunda, com 1.243 cortes em maio e 973 em junho, somando 2.216. Latam computou 498 em maio e 537 em junho. Juntas, Gol e Azul responderam por mais de 86% das reduções.
Preço do combustível
Dados da ANP indicam que o querosene de aviação passou de 3,35 reais o litro em fevereiro para 6,65 reais no início de maio, um aumento de 98,4% no período. Na segunda-feira, a Petrobras anunciou redução de 14,2% no preço do combustível, após sequência de altas.
Em março houve reajuste de 9%, em abril 55% e em maio mais 18%. A inflação no setor também é sentida pelo consumidor: a ANAC aponta alta de 17,8% no preço das passagens em março ante 2025, com alta de 14,5% frente a fevereiro.
Medidas de apoio e cenário
Cerca de 21% do QAV utilizado no país vem do exterior, com a Petrobras dominando a distribuição. Em abril, o custo adicional para as companhias foi de 719 milhões de reais; com maio, o total sobe para aproximadamente 1,84 bilhão.
O governo federal lançou linha de crédito emergencial de até 1 bilhão de reais para manter operações e fluxo de caixa das aeroviárias, com recursos destinados a capital de giro. O Fnac já havia previsto um pacote de aproximadamente 4 bilhões de reais em créditos, com condições tradicionais de avaliação e contrapartidas. A Abear elogiou a atuação do governo ao mitigar impactos sobre a conectividade.
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