- Milton Maluhy Filho, presidente do Itaú Unibanco, afirma que o Brasil precisa de uma agenda de reformas estruturais para controlar a dívida e reduzir juros estruturais.
- Em entrevista, ele diz que o mercado está vigilante com as eleições e o cenário fiscal, reconhecendo atributos do país, mas destacando orçamento rígido como obstáculo ao custo de capital.
- O banco projeta crescimento da carteira de crédito entre cinqüenta e noventa e cinco por cento neste ano, com foco em linhas mais seguras, como imóveis, consignado e pequenas e médias empresas com garantia do governo, mantendo inadimplência abaixo da média do mercado.
- Na pessoa física, destaca o consignado privado como linha central, com participação de cerca de vinte por cento em um mercado de até cem bilhões de reais; o Itaú afirma ter taxas médias entre as menores do setor.
- O empresário comenta programas governamentais como Desenrola 2.0 e reforça a importância do diálogo com o setor financeiro; acrescenta que a agenda regulatória busca reduzir o custo de capital e melhorar o ambiente institucional, com debates sobre plataformas de distribuição e atuação do Banco Central.
Milton Maluhy Filho, presidente do Itaú Unibanco, defende que o Brasil precisa enfrentar uma agenda de reformas estruturais e tornar o orçamento mais flexível para conter a escalada da dívida e reduzir juros. Em entrevista ao Estadão/Broadcast, ele destacou a importância de melhorar o ambiente institucional e a competitividade do país.
O banco fez observações em encontros com investidores estrangeiros sobre o cenário eleitoral deste ano e o impacto fiscal. Embora o país tenha atributos como matriz energética limpa e grande base de consumidores, o custo de capital permanece elevado, pressionando o crédito e o investimento de longo prazo.
Contexto financeiro e eleitoral
Maluhy apontou que o mercado financeiro está vigilante com a agenda política e as próximas eleições. O executivo ressaltou que, apesar das vantagens do país, questões fiscais e juros elevados dificultam o desenvolvimento de projetos de longo prazo. O Itaú mantém postura cautelosa diante de cenários de juros, inflação e desemprego.
No âmbito interno, o Itaú evidencia um ciclo econômico desafiador com crédito mais seletivo. No primeiro trimestre, a carteira de empréstimos chegou a R$ 1,48 trilhão, alta de 9% sobre o mesmo período do ano anterior, descontando efeitos cambiais. Crescimento ocorre principalmente em linhas mais seguras, como imobiliário, consignado e PMEs com garantia pública.
Desempenho e estratégias de crédito
Na visão do banco, a carteira de crédito segue bem posicionada: capital sólido, liquidez estável e forte relacionamento com clientes mantêm a capacidade de expansão. No varejo, o Itaú aponta inadimplência abaixo da média do mercado, sinalizando gestão cuidadosa de crédito. A projeção para 2024 aponta crescimento da carteira entre 5,5% e 9,5%.
Para pessoa física, o consignado privado é destaque. O Itaú já era líder no segmento antes de o governo lançar o Crédito do Trabalhador; hoje detém participação expressiva no mercado de consignado privado, mantendo inadimplência abaixo da média. As taxas praticadas permanecem entre as mais competitivas do mercado.
Programas sociais e ambiente de negócios
O Banco comenta o Desenrola 2.0, criado junto a instituições financeiras e governo, como instrumento para facilitar crédito a famílias, com expansão prevista para taxistas e motoristas de aplicativo. O banco participa do monitoramento de elegibilidade, ofertas e condições, observando o andamento de programas como Pronampe e o Fundo de Garantia de Investimentos (FGI).
Maluhy também discutiu o impacto da incerteza eleitoral na percepção de risco e nas operações. Em Nova York, investidores demonstraram interesse em entender planos econômicos, equipes responsáveis pela política fiscal e metas de dívida pública. Ele enfatizou que o Itaú é apartidário e defende reformas estruturais para elevar a produtividade e a competitividade do Brasil.
Agenda fiscal e regulações
Para reduzir o custo de capital, ele apontou a necessidade de reformas estruturais, orçamento mais flexível e maior segurança jurídica. O executivo afirmou que fatores externos, como guerras e preços de commodities, não estão sob controle, mas políticas para estimular investimentos de longo prazo devem ser fortalecidas.
Sobre o FGC, o governo endureceu regras após a liquidação do Banco Master, com mudanças voltadas principalmente ao lado dos bancos emissores. Maluhy afirmou que as propostas vêm sendo discutidas com o regulador e com o CMN, destacando a participação de figuras como o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e a importância de aperfeiçoar o ambiente de distribuição entre bancos e plataformas.
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