- O PIB do Brasil cresceu 1,1% no primeiro trimestre em relação ao trimestre anterior, segundo o IBGE.
- O consumo das famílias avançou 1% no período, com influência de juros ainda elevados e da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda.
- O investimento subiu 3,5%, mas a leitura é afetada por uma queda anterior expressiva; em 12 meses, o aumento é de 0,4%.
- Medidas de estímulo do governo Lula, como renegociação de dívidas e novas linhas de crédito, podem puxar a demanda no curto prazo, sem garantir expansão sustentável.
- A inflação segue acima de 5% e, com o aperto monetário, há menos espaço para cortes de juros, agravando os riscos fiscais.
O PIB do Brasil cresceu 1,1% no 1º trimestre, segundo o IBGE, após nove meses de fraca reação. O avanço ocorreu na leitura de janeiro a março e aponta uma recuperação que, porém, não deve perdurar. A taxa refletiu o consumo das famílias e ajustes monetários.
O consumo das famílias subiu 1,0%, acelerando após a Selic cair apenas em março. Juros altos, na casa de 14,5%, ainda limitam o impulso. O maior estímulo veio da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda.
O investimento teve alta de 3,5% no trimestre, mas queda de 3,4% no trimestre anterior distorce a leitura. Em doze meses, o investimento cresceu apenas 0,4%. A leitura reforça a dependência de demanda pública para o crescimento.
Perspectivas e riscos
Tornam-se evidentes sinais de esgotamento de um modelo dependente de gastos públicos. Entre 2022 e 2024, a economia teve crescimento próximo de 3% ao ano, mas com inflação pressionada, o BC elevou juros para conter a inflação.
O governo lançou novo programa de renegociação de dívidas, além de medidas para reduzir a tributação de itens simples e criar linhas de crédito setoriais. A agropecuária e a indústria extrativa também se beneficiaram de fatores conjunturais.
Projeções para a inflação de 2026 vêm aumentando, acima de 5%, pressionando o espaço para cortes adicionais de juros. Se a inflação se mantiver elevada, a recuperação do PIB pode perder velocidade, mantendo riscos fiscais elevados.
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