- Dos fundos IS (investimento sustentável), o patrimônio atingiu 45,9 bilhões de reais em abril de dois mil e vinte e seis, ante 28,1 bilhões em dezembro de dois mil e vinte e quatro e 7,5 bilhões em dezembro de dois mil e vinte e três.
- O número de fundos IS aumentou de 92 em dezembro de dois mil e vinte e três para 177 em dezembro de dois mil e vinte e quatro, chegando a 202 em abril de dois mil e vinte e seis; o mercado, somado aos relacionados à sustentabilidade, fica próximo de 60 bilhões de reais e já passa de 330 mil investidores.
- Cerca de metade dos fundos IS com rentabilidade nos últimos doze meses superou o CDI, que ficou em 14,8%. As estratégias de renda fixa tiveram média de 11,9% e multimercados, 13,7% no período.
- O crescimento é puxado pela renda fixa e pelo crédito privado, com ativos como debêntures, Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs).
- Grandes gestoras — BB Asset, Bradesco Asset, Itaú Asset, SulAmérica, BNP Paribas Asset Management, Vinci Compass e Régia Capital — ajudam a escalar o mercado, mirando crédito privado, previdência e infraestrutura, com expectativa de pelo menos doze lançamentos de produtos sustentáveis em dois mil e vinte e seis.
Os fundos sustentáveis no Brasil ganham escala no crédito privado e chegam a quase R$ 60 bilhões em patrimônio, batendo o CDI. O movimento é puxado por grandes gestoras e pela evolução na avaliação de risco ESG no crédito.
Dados da Anbima mostram que os fundos IS (investimento sustentável) tiveram patrimônio de R$ 45,9 bilhões em abril de 2026, ante R$ 28,1 bilhões em dezembro de 2024. Em dezembro de 2023, eram R$ 7,5 bilhões.
O número de fundos IS também subiu: 92 em 2023, 177 em 2024, chegando a 202 em 2026. Ao somar fundos ligados à sustentabilidade, o mercado chega a um patamar próximo de R$ 60 bilhões, com mais de 330 mil investidores.
A mudança ocorre após anos de entrada regulatória e resistência cultural. O avanço é sustentado por fatores de renda fixa, com parte expressiva dos recursos em debêntures, CRAs, CRIs, FIDCs e debêntures de infraestrutura.
Cerca de metade dos IS com rentabilidade nos últimos 12 meses superou o CDI, que registrou 14,8%. A média de retorno em 12 meses ficou em 11,9% para renda fixa e 13,7% para multimercados, segundo a Anbima.
Pelo perfil setorial, a maior fatia de recursos em abril de 2026 ficou em renda fixa (R$ 33,9 bilhões, ~74%). FIPs somaram 11%, FIDCs 5%, e multimercados e ações, 4% cada.
Para Takahashi, diretor da Anbima, a expansão está ligada ao crédito privado. A oferta de ativos como debêntures e CRIs amplia a base para a estruturação de fundos IS, fortalecendo a gestão de risco.
A incorporação de critérios ESG na análise de emissores passou a influenciar risco, rating e precificação. A BNP Paribas Asset Management Brasil cita que a prática ajudou a evitar defaults recentes em parte do portfólio.
Henri Rysman, da BNP Paribas AM Brasil, afirma que a análise ESG reduziu volatilidade e elevou a consistência do portfólio de crédito privado.
Na SulAmérica Investimentos, Daniela Gamboa aponta que a área ESG soma cerca de R$ 14 bilhões, com crescimento relevante em crédito privado. Investidores veem retorno atrativo aliado a práticas responsáveis.
Segundo Takahashi, a indústria passa por uma mudança de patamar, com maior participação das grandes casas. A distribuição ampla em bancos e plataformas é vista como essencial para o ganho de escala.
A entrada das grandes gestoras
Régia Capital, Itaú Asset, Vinci Compass, BB Asset, Bradesco Asset e BNP Paribas AM representam o grupo que movimenta mais de R$ 85 bilhões em estratégias sustentáveis. O impulso vem de institucionais, previdência e wealth management.
Os institucionais buscam governança, longo prazo e conformidade regulatória. Fundos de pensão, fundações e RPPS adiantam a incorporação de critérios ASG de forma auditável.
Na alta renda, private banking e family offices adotam portfólios alinhados a metas ESG, sem abrir mão de retorno e gestão de risco. O varejo segue com avanço limitado, sobretudo entre públicos jovens.
Na BB Asset, o crescimento de cotistas de até 17 anos em fundos sustentáveis cresce mais de 2.100% nos últimos 18 meses, sinalizando transformação geracional e maior educação financeira.
Régia Capital destaca o interesse internacional, especialmente de europeus e bancos de desenvolvimento, por teses ligadas à transição energética e à bioeconomia.
Olhando para o futuro
As gestoras prevêem ao menos 12 lançamentos ligados a fundos sustentáveis em 2026, com foco em crédito privado, previdência, infraestrutura e soluções climáticas. A transição energética e os minerais críticos ganham importância.
BB Asset lançou em 2026 o BB Renda Fixa Crédito Privado ASG, com gestão própria, e o BB Ore Régia Capital Minerais Críticos FIC FIP. Régia prepara fundos de debêntures IS e de carbono, com captação estimada em até R$ 1 bilhão.
Itaú Asset, SulAmérica e BNP Paribas AM avançam com estratégias de previdência IS e crédito, ampliando a oferta aos clientes institucionais e de varejo sofisticado. Vinci Compass lançou o Vinci Impacto e Retorno V, com foco em médias empresas do Nordeste.
Takahashi aponta que o Brasil precisa ampliar comunicação sobre qualidade da infraestrutura de mercado e atrair capital estrangeiro para transição energética. A COP30 reforçou a parceria público-privada, mas o país ainda tem espaço para melhorar a oferta de investimentos sustentáveis.
O caminho para o crescimento sustentável depende de maior proporção de ativos em crédito privado, maior distribuição das grandes gestoras e novas estruturas de financiamento, incluindo ferramentas de blended finance.
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